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A partir de Lisboa Portugal disse ao mundo que era capaz com a Expo98

A Exposição Internacional de Lisboa, realizada em 1998, mostrou ao mundo que Portugal era capaz de concretizar um grande evento mundial, que dedicou aos oceanos, 500 anos depois da viagem de Vasco da Gama à Índia.

Em 1998 foram registadas em Portugal 70 crianças com o nome Gil, mas o Gil mais conhecido em todo o mundo acabou por ser a “onda mascote” – batizada em homenagem ao navegador Gil Eanes – que recebeu em Lisboa, de 21 de maio a 30 de setembro, cerca de 160 países e organizações, mais de 6.000 jornalistas de 80 países e quase 11 milhões de visitantes, metade dos quais portugueses.

“O que surpreendeu foi a grande adesão dos portugueses. Metade dos portugueses vieram à Expo”, diz João Paulo Velez, que foi porta-voz e diretor de comunicação da Expo98.

A ideia de candidatura à Exposição Mundial de 1998, ano em que passava meio milénio após a viagem de Vasco da Gama por mar até à Índia, surgiu nos finais da década de 1980 no âmbito da comissão criada para comemorar uma série de feitos históricos dos descobrimentos, que se assinalavam na última década do século XX, dirigida por Vasco Graça Moura e António Mega Ferreira.

“Decidiu-se que a realização de um grande evento teria mais impacto. Deveria ser um acontecimento que projetasse a imagem de um Portugal moderno, com um tema que interessasse atualmente à generalidade dos países”, explica João Paulo Velez, salientando que o país “estava numa fase de integração europeia, mais orgulhoso de si próprio e queria mostrar ao mundo que já tinha atingido um nível” que lhe permitia “fazer as coisas bem”.

Em 1992, o projeto de Lisboa para a Expo98 foi o escolhido, derrotando a candidatura da cidade de Toronto (Canadá). E 1998 acabou por ser declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como Ano Internacional dos Oceanos, para o que contribuíram diversas investidas diplomáticas portuguesas.

Além da Expo, o projeto incluía a reabilitação de uma faixa de cinco quilómetros da zona ribeirinha oriental da cidade de Lisboa, incluindo uma parcela do concelho de Loures, “com um potencial paisagístico e urbano gigantesco”, mas onde coexistiam uma refinaria, tanques de armazenamento de petróleo, um matadouro, um depósito de restos de materiais das guerras de África e uma lixeira.

“Este argumento também funcionou para a promoção lá fora. Nós queríamos uma Expo não só para fazer uma festa de quatro ou cinco meses, mas também para termos o maior retorno para a cidade e para o país. E eu acho que esse foi o maior êxito da Expo”, destaca João Paulo Velez.

O plano urbanístico do atual Parque das Nações tinha de estar completo até 2010, com espaços empresariais, de lazer e de habitação, aproveitando as estruturas da exposição para serem adaptadas à vida no novo espaço urbano.

O Oceanário e o Pavilhão do Conhecimento ainda lá estão, o pavilhão da Utopia hoje é o Meo Arena, a área internacional norte é a nova FIL, o Pavilhão do Futuro foi transformado em casino e a porta principal da exposição foi concebida para ser o centro comercial que é hoje.

“O projeto era tão grande, que chegámos a ter 9.000 trabalhadores no estaleiro em simultâneo. Não tínhamos tempo para problemas artificiais, nem para obstruções, e todos compreenderam isso. Mesmo ao nível político, toda a gente conseguiu convergir para o projeto”, realça.

José Moreno, presidente da nova freguesia do Parque das Nações, considera que ali “foi feita uma revolução”, que ainda hoje é um caso de estudo internacional.

A “lixeira a céu aberto” é atualmente “uma das zonas mais cosmopolitas e caras da cidade, das mais apetecíveis em termos de instalação de grandes empresas, tem o Campus da Justiça, serviços, prestigiados hotéis”, uma linha de Metro e recebe dois milhões de visitantes por mês, avança.

“Mas também o resto do país ganhou. O Tejo ganhou uma nova ponte para sul e a nova estação de comboios do Oriente [desenhada pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava]passou a ser interface para outros destinos, nomeadamente o norte e o centro do país”, considera o autarca.

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