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Abrantes investe milhões e devolve Tejo à cidade

Investimentos avultados no Aquapolis – “cidade à volta da água” -, num açude insuflável no Tejo e na requalificação das margens ribeirinhas de Abrantes, inverteram a relação com o rio, nas últimas décadas, embora sem a aposta privada esperada.

“O Tejo, em Abrantes, era a traseira das populações. Ia-se para o rio despejar lixo numa relação difícil, em que o rio levava pouca água no verão e água a mais no inverno, e em que a cidade foi crescendo, ao longo dos tempos, de costas voltadas para ele”, lembra o ex-presidente da Câmara, Nelson de Carvalho (PS).

Hoje tudo está diferente, “as pessoas já procuram o rio para a fruição e para o lazer, apesar de não termos beneficiado de uma conjuntura favorável em termos económicos. Quando o projeto tinha condições de atratividade para acolher investimento privado, foi quando o Mundo entrou numa crise económica que não foi vantajosa para ninguém”, advoga.

Eleito presidente da Câmara Municipal aos 40 anos de idade, Nelson de Carvalho esteve 16 anos no poder (1994-2009) tendo feito da “reintegração do rio na comunidade” uma das principais bandeiras dos seus mandatos. Mais de 20 milhões de euros foram investidos em Abrantes, desde então, abrangendo uma área total de aproximadamente 85 hectares, 50 dos quais no rio.

“Mais do que um projeto, este foi um programa que atravessou os meus quatro mandatos e que tinha por objetivo devolver o rio à comunidade e à estrutura urbana”, observa, lembrando a “morosidade” de um processo “ciclópico”, que começou, antes da obra física e da criação de um espelho de água com mais de 50 hectares, por um processo denominado “Cuidar do Tejo”.

Segundo o ex-autarca, os seus primeiros dois mandatos foram destinados a “fechar lixeiras a céu aberto e a implementar um plano diretor municipal de saneamento que incluiu um investimento de vários milhões de euros na construção de novas estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) e no fecho de outras, que drenavam para o Tejo” sem o devido tratamento.

“A segunda fase foi o de reabilitar as margens ribeirinhas e construir um açude insuflável que permitisse criar um espelho de água de volume permanente, além de uma operação de reabilitação urbana nas freguesias ribeirinhas, a construção de uma bateria de bares e restaurantes à beira-rio e, também, um centro de canoagem”, recorda o antigo autarca.

A construção do açude, inaugurado a 16 de junho de 2007, “possibilitou uma redefinição completa da cidade e de uma zona altamente desqualificada e inútil do ponto de vista do uso dos cidadãos e das potencialidades que um rio tinha de ter. As margens sujas afastavam as pessoas e no verão corria apenas um fio de água num imenso deserto de areia, apesar do Tejo ser o maior rio da Península Ibérica”, descreve.

Considerando que os resultados do investimento efetuado “mostram uma relação com o rio inteiramente nova”, o ex-autarca diz que o Tejo “foi reintegrado na vida coletiva das pessoas e no desenvolvimento económico da cidade e do concelho”.

“Tudo junto foram cerca de 20 milhões de euros”, lembra Nelson de Carvalho, observando que ainda faltar construir o Centro Náutico que tinha idealizado e que considera fundamental para a dinamização daquela zona.

Com o plano de água e o Centro Náutico, a “joia da coroa” do projeto, Nelson de Carvalho diz acreditar que existem condições para captar mais investimentos privados e potenciar a prática de desportos náuticos e atividades de lazer.

A atual presidente da Câmara de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque (PS), assegura que vai “continuar a fazer investimentos à volta do Tejo”, lembrando a construção da estação de canoagem de Alvega, o Parque Tejo – Centro de Acolhimento e Interpretação do Tejo, os percursos ribeirinhos no âmbito do projeto Rotas do Tejo, entre outros ao nível ambiental e do turismo de fruição, lazer, cultura, gastronomia e natureza.

Questionada sobre a “joia da coroa” de Nelson de Carvalho, a autarca afirma que o Centro Náutico é para ser construído, tendo o município adquirido uns imóveis devolutos para o efeito, no âmbito de uma operação de regeneração urbana.

“Sim, vai ser construído, mas não o projeto grande. Será junto à estação de canoagem do Rossio”, revela, defendendo que o Aquapolis “é um projeto diferenciador, que marcou e marca o território de Abrantes e do País”.

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