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Alcácer do Sal perde “comércio de café” com A2 e IC1, mas ganha melhor mobilidade

Paragem “obrigatória” nas outrora longas viagens entre Lisboa e Algarve, Alcácer do Sal passou a ver os automobilistas a passarem ao lado nas “modernas” estradas e a sentir prejuízos no “comércio de café”, mas a viver com melhor mobilidade.

A cidade, banhada pelo rio Sado, assistiu, na década de 1990, ao desvio do trânsito para a autoestrada do Sul (A2) e Itinerário Complementar (IC) 1, perdendo o negócio dos “passantes”, contudo, mercê de outros investimentos, acabou por retirar benefícios das mudanças, que permitiram uma nova dinâmica rodoviária.

Embora para os comerciantes da restauração, instalados junto às principais vias de Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal, o desvio do fluxo rodoviário tenha prejudicado o negócio, a cidade saiu a ganhar, garante à agência Lusa o ex-autarca Rogério de Brito, que liderou o município entre 1994 e 2005.

“A ponte [sobre o rio Sado]do IC1 teve impacto, sobretudo, no que diz respeito à chamada ‘economia de café’, ou seja, nos estabelecimentos que existiam à volta do largo das camionetas, como era conhecido, que sentiram o efeito das viaturas deixarem de circular por dentro de Alcácer do Sal”, recorda.

Apesar de reconhecer o impacto negativo para a restauração, que teve “uma quebra acentuada”, Rogério de Brito considera que o alívio do trânsito das artérias de Alcácer do Sal foi recompensado, anos mais tarde, com novos investimentos na cidade alentejana, conseguidos com a construção da A2, que liga Lisboa ao Algarve.

“Nas negociações com o Ministério das Obras Públicas, a construção da autoestrada acabou por trazer benefícios, que terão superado em muito os inconvenientes da passagem [da A2], porque permitiram que se realizasse algum investimento de qualidade na cidade”, acentua.

O “arranjo da marginal de Alcácer do Sal” e a construção de uma “estrada circular”, uma “ligação mais rápida, mais expedita, mais confortável e segura”, em torno da cidade, que “permitiu a entrada de trânsito sem atravessar o centro da localidade”, foram dois dos investimentos feitos, lembra.

Segundo o ex-autarca, embora Alcácer do Sal tenha perdido o negócio dos “passantes”, como chama a quem passa em viagem, que tinha um tempo de permanência na cidade de “20 a 30 minutos”, ganhou “em qualidade” urbana, o que contribuiu para melhorar a oferta para quem visita a cidade poder permanecer.

“Já havia aqui uma alteração qualitativa, quer do ponto de vista económico, quer do ponto de vista até do impacto cultural e social, que era distinta daquela que antes se limitava a receber quem por ali passava e a proporcionar aquilo a que se chamava de ‘economia de café’”, frisa.

A melhoria da “qualidade da oferta”, tanto a nível de património cultural, como de alojamento e restauração, é também destacada pelo atual presidente da Câmara de Alcácer do Sal, Vítor Proença, assegurando que “há uma procura crescente por parte de visitantes”.

O município tem feito, nas últimas duas décadas, vários investimentos na requalificação das zonas ribeirinha e histórica de Alcácer do Sal, com vista à melhoria da mobilidade, que continua na ordem do dia com vários projetos previstos no Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano, aprovado este ano.

A criação de “corredores cicláveis” de ligação entre a cidade e bairros periféricos e de um interface de transportes são alguns dos investimentos que a autarquia prevê realizar nos próximos anos, com o apoio de fundos comunitários, a par de outras intervenções urbanas.

No entanto, há ainda investimentos que não dependem do município, mas que Vítor Proença considera essenciais, como a requalificação do IC1 entre Alcácer do Sal e Grândola, atualmente bastante degradado, e a retoma da circulação ferroviária de passageiros, retirada da cidade em 2011 e que o autarca espera ainda recuperar.

“É indispensável melhorar a mobilidade, particularmente rodoviária, mas também a ferroviária”, defende o autarca, que quer a “reabertura de uma rede de comboios regionais”.

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