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Almodôvar “tira partido” da vizinha mina de Neves-Corvo

Almodôvar, no Alentejo, “tira partido” da vizinha mina de Neves-Corvo, que tem “importância extrema” para o concelho, porque é o maior empregador da zona, “sustentando” mais de 500 famílias, o que permitiu atrair e fixar população.

Apesar de estar sediada no concelho vizinho de Castro Verde, a mina tem uma “importância extrema” para Almodôvar, no distrito de Beja, em termos económicos, sociais e demográficos, diz à agência Lusa o presidente do município, António Bota (PS).

Neves-Corvo, uma das maiores minas da Europa, emprega, direta e indiretamente, “cerca de 650 pessoas” do concelho, que tem 3.000 habitantes, e, por isso, é o maior empregador para Almodôvar, “superando a média de 215” trabalhadores do município, refere.

Desta forma, frisa o autarca, a mina tem sido “o meio de sobrevivência” de “mais de 500 famílias” de Almodôvar, que, direta e indiretamente, “dependem” da exploração mineira”, permitindo-lhes rendimentos para viverem em “condições” e contribuírem para a microeconomia de consumo e o desenvolvimento do concelho.

Por outro lado, o complexo, desde que começou a extrair e a produzir milhares de toneladas de minério para exportação em 1988, tem sido “um forte motivo para atrair população”, como “quadros técnicos qualificados” e familiares, e fixar jovens e famílias naturais do concelho graças à “atratividade do emprego na mina”.

O anterior presidente da Câmara de Almodôvar, António Sebastião (PSD), que liderou o município durante 12 anos, entre 2001 e 2013, também destaca a importância da mina por ser o maior empregador para o concelho.

Por outro lado, a exploração da mina teve “um impacto positivo em termos demográficos”, já que permitiu fixar no concelho “uma parte muito importante” dos seus trabalhadores, entre naturais e novos habitantes, o que contribuiu para “uma atenuação da perda de população”, diz António Sebastião.

O antigo autarca refere ser “difícil imaginar Almodôvar” sem a exploração da mina, já que seria um cenário “preocupante” de um concelho com “menos pessoas, mais despovoamento e menos desenvolvimento”.

Segundo António Bota, sem a exploração da mina, o concelho teria “menos” habitantes, emprego, casas e comércio e “maior dependência do Governo central para garantir serviços básicos” e dos serviços públicos para garantir emprego e haveria “menor motivação para viver em Almodôvar”.

Por isso, refere António Bota, o município está a trabalhar para encontrar alternativas para diversificar a economia e a população poder ter outras atividades que permitam a subsistência e a permanência no concelho quando a exploração da mina acabar.

Neste sentido, diz, o município tem medidas de apoio ao empreendedorismo, está a planear “soluções de emprego” explorando a proximidade da Autoestrada do Sul (A2), como uma plataforma logística para atrair empresas, aposta em eventos culturais para “dinamizar e apoiar” o comércio e as pequenas empresas e tem promovido e patrocinado seminários para estimular a capacidade empresarial e a produção e o desenvolvimento de produtos do concelho.

António Sebastião defende que “é urgente um trabalho sério que estude e aponte alternativas” à mina e que deve envolver os municípios abrangidos e ter “um papel empenhado” da empresa concessionária, a Somincor, a “presença fundamental” do poder central e a participação de várias entidades da região.

António Bota e António Sebastião defendem que a Somincor, devido ao facto de parte da atividade de extração de minério da mina decorrer no subsolo do concelho, devia pagar derrama também ao município de Almodôvar, além de já pagar ao de Castro Verde, concelho onde está sediada.

Tal seria “uma mais-valia” para Almodôvar, porque “iria ser um gerador de receita bastante atrativo e necessário”, frisa António Bota, lembrando que o município tem “patrocinado” uma ação judicial contra o Estado para reclamar o pagamento de derrama pela Somincor.

“Sabemos que a Somincor paga o que lhe é exigido ao Estado”, que, por sua vez, atribui a taxa de derrama como a lei prevê à Câmara de Castro Verde, o concelho onde está sediada, mas o município de Almodôvar considera que “tem direito a parte” daquele imposto e, por isso, vai continuar a reclamá-la junto do Estado, diz António Bota.

Segundo dados disponibilizados à Lusa pela Somincor, em dezembro de 2015 trabalhavam no complexo mineiro de Neves-Corvo 2.083 pessoas, sendo 1.040 através daquela empresa e 1.043 através de subempreiteiros.

Em 2015, a mina produziu, em forma de concentrado e para exportação, 55.831 toneladas de cobre, 61.921 toneladas de zinco, 2.700 toneladas de chumbo e 454 mil onças de prata.

 

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