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Álvaro Pedro, o autarca que marcou Alenquer pela disponibilidade total

Álvaro Pedro marcou como poucos o concelho de Alenquer, ao presidir à Câmara durante 36 anos, numa total disponibilidade para com os munícipes, o que o levava a marcar presença em vários almoços por dia.

“Praticamente não tinha gabinete, atendia toda a gente, fosse à porta do carro, da câmara, de casa ou nos cafés e percebeu as necessidades que a população tinha”, recorda à agência Lusa Carlos Cordeiro, histórico socialista de Alenquer, agora com 82 anos.

O também presidente da Assembleia Municipal de Alenquer durante vários mandatos em que o município foi presidido por Álvaro Pedro, lembra que ambos chegavam a ter “dois e três almoços de coletividades ao mesmo tempo” e o antigo líder camarário “ia a todos para dar resposta aos convites”.

Álvaro Pedro, agora com 77 anos, presidiu a duas comissões administrativas após o 25 de abril de 1974 e foi, até 2009, o único presidente da Câmara que os alenquerenses conheceram. Álvaro Pedro foi também agraciado pelo anterior Presidente da República, Cavaco Silva, com o Grau de Comendador da Ordem de Mérito.

Na década de 1970, o autarca deixou de ser operário da General Motors, onde montava automóveis, para ir para a Câmara. Quarenta anos depois, Álvaro Pedro reconhece à agência Lusa que pensava que a autarquia nunca “estaria ao seu alcance”, já que era um “homem do povo”.

“Foi um salto que não esperava dar e, no início, não me sentia com grandes condições. Mas, com muita vontade, acabaram por ser 36 anos de muita aprendizagem, porque queria fazer aquilo que eu sentia que a população precisava e tudo me incentivava”, afirma o antigo presidente.

Já enquanto autarca, “continuou a ser um homem do povo” e a simplicidade no trato e disponibilidade para ouvir a população e sentir os seus problemas valeram-lhe, na opinião de Carlos Cordeiro, sete maiorias absolutas nos seus nove mandatos autárquicos.

“Não havia fins de semana, nem horas. Eu entrava às 08:00, quando os operários da Câmara também entravam”, recorda Álvaro Pedro.

Entre as principais obras que marcaram o seu percurso, ambos destacam o investimento no abastecimento de água ao concelho e na rede de saneamento. A construção dos centros escolares de Alenquer e do Carregado e a requalificação do Rio de Alenquer e da zona envolvente, já nos últimos dois mandatos, foram outros projetos.

“Foi ao encontro das necessidades mais básicas que a população tinha, o que contribuiu para que muita gente se fixasse no concelho, sobretudo filhos de pessoas já aí residentes”, admite Carlos Cordeiro, para quem as pessoas se reviam em Álvaro Pedro e ele conseguia ter uma popularidade que excedia em votos o que era habitual o PS ter no concelho.

Apesar de estar há sete anos afastado da Câmara, “ainda hoje há pessoas que me chamam presidente”, conta Álvaro Pedro.

O socialista admite que a batalha que se travou no concelho sobre a localização do aeroporto internacional de Lisboa na freguesia da Ota, com a autarquia a favor e a população contra, pelos impactos criados no território, o “desgastou” nos últimos mandatos e foi um dos motivos que o levaram a abandonar o município em 2009.

“Aceitava os argumentos das pessoas, mas, ao mesmo tempo, acreditava que era um investimento que iria desenvolver Alenquer e a região Oeste”, afirma.

Apesar da saída em 2009, Álvaro Pedro voltou às causas públicas e à vida política local em 2013, com a vitória do PS na freguesia da Abrigada, onde é presidente da respetiva Assembleia.

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