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Alvito rejuvenesce com escola profissional

Alvito, no Alentejo, “rejuvenesceu” e “ganhou nova vida” há 26 anos com a criação de uma escola profissional, considerada um dos maiores investimentos feitos no concelho e que dá emprego, atrai jovens e gere a pousada da vila.

A Escola Profissional de Alvito (EPA), no distrito de Beja, criada em 1990, “é, sem dúvida, um dos maiores investimentos” feitos no concelho nos últimos 30 anos, diz à agência Lusa o presidente do município e da cooperativa dona do estabelecimento de ensino, António Valério.

Segundo o autarca, a EPA “contribui para o dinamismo da economia” do concelho e, “pela qualidade da formação prestada, é uma referência regional” ao nível da formação em hotelaria e restauração.

“O bom desempenho profissional dos formandos constitui a melhor imagem de marca da escola e, assim, o concelho alcança a distinção e o reconhecimento que, de outra forma, lhe seria difícil” alcançar, frisa.

Segundo o diretor da EPA, António Coelho, a escola, que é a segunda maior entidade empregadora do concelho, a seguir à Câmara Municipal, emprega diretamente 50 trabalhadores, sendo 23 docentes e 27 funcionários, dos quais 11 são antigos alunos.

A EPA tem cerca de 260 alunos, com uma média de idades de 16 anos e oriundos de Alvito e de vários concelhos vizinhos, que “dão vida e dinâmica” à vila durante os períodos de aulas, salienta António Coelho.

Cerca de 260 alunos num concelho com 2.504 habitantes representa um “aumento de população na ordem dos 10%” durante o período de aulas, nove meses por ano, frisa o autarca.

“Num concelho dos mais envelhecidos do Alentejo”, observa, os alunos da EPA “são um fator de rejuvenescimento da vila” de Alvito, dando-lhe “novas dinâmicas social e cultural”, contribuindo para “o dinamismo económico e, principalmente, para uma frutuosa interação geracional”.

Do total de alunos, a maioria desloca-se até Alvito, em dias de aulas, em transportes próprios da EPA ou públicos, mas cerca de 40 estão alojados e vivem na vila durante o período letivo, o que, salienta o autarca, “reforça o dinamismo da economia”.

Segundo António Coelho, a escola, que é financiada por fundos comunitários, ministra cinco cursos com equivalência ao 12.º ano (Técnico de Restauração nas variantes de cozinha/pastelaria e restaurante/bar, Técnico de Informática de Gestão, Técnico de Banca e Seguros e Técnico Comercial) e dois com equivalência ao 9.º ano (Hotelaria e Turismo e Turismo e Informática).

Além de ministrar os cursos, a EPA confeciona refeições para o agrupamento de escolas do concelho, presta serviços de “catering” e, desde junho deste ano, gere a pousada da vila, que emprega 17 pessoas, refere António Coelho.

António Valério conta que, em outubro de 2015, o Grupo Pestana informou-o de que ia fechar a Pousada de Alvito em novembro daquele ano, o que aconteceu, e não estava interessado em continuar e explorá-la.

O grupo disse também que outras pousadas estavam a ser concessionadas a outras entidades e estava interessado em encontrar uma “solução semelhante” para a Pousada de Alvito.

O autarca lembra que a situação deixou-o “preocupado e comprometido com a resolução do problema, tendo em conta o impacto negativo do encerramento da pousada na economia e no dinamismo turístico do concelho”, e lançou à EPA o “desafio” de assumir a gestão da unidade.

António Coelho conta que a escola “chegou à conclusão que tinha condições para agarrar o projeto da pousada” e, após várias conversações, em março de 2016, assinou com o Grupo Pestana o contrato de subconcessão da unidade por um ano.

A Pousada de Alvito reabriu no dia 01 de julho, já com gestão da EPA, e vai funcionar durante todo o ano, indica António Coelho, referindo que a ideia é integrar antigos alunos no quadro de pessoal da unidade.

A EPA foi criada através de um contrato celebrado entre o Estado, a Câmara e a Cooperativa de Ensino do Concelho de Alvito em 1990, quando o município era liderado por Francisco Trindade.

Entretanto, por força da lei que obrigou à criação de entidades proprietárias das escolas profissionais, sete entidades do concelho, por iniciativa dos promotores iniciais, criaram a cooperativa NOVALVITO, que assumiu a propriedade e a gestão da EPA.

Francisco Trindade conta à Lusa que a autarquia decidiu criar a EPA após ter participado, em 1989, numa reunião, em Évora, com um responsável do Ministério da Educação e na qual foi apresentado o projeto de criação de escolas profissionais em Portugal subsidiadas por fundos comunitários.

Na altura, “estava em marcha o projeto de criação da Pousada de Alvito e, juntando o útil ao agradável, pensei que era altura de abrir uma escola profissional para formar pessoas na área da hotelaria para trabalharem na pousada e foi o que aconteceu”.

“Além de ter posto Alvito no mapa, com a sua reputação, a EPA dá emprego a 50 pessoas, atrai jovens, forma bons profissionais e, recentemente, assumiu a gestão e permitiu a reabertura da pousada” da vila, sublinha Francisco Trindade.

A EPA “nasceu” de uma estratégia, que, “na altura, foi muito difícil, mas que acabou por dar frutos, de criar cursos que não existiam no Alentejo”, como os da área de hotelaria e restauração, lembra António Coelho.

“O tempo deu-nos razão, quer do ponto de vista da procura dos cursos, quer do ponto de vista da empregabilidade dos alunos”, frisa António Coelho, sublinhado: “antes era difícil recrutar alunos para cursos de hotelaria e restauração, porque ninguém queria ser cozinheiro”, que, atualmente, “é uma profissão que está na moda”, e a EPA “não tem capacidade para dar resposta à procura” pelos cursos da área que ministra.

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