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Amadora conquista nova mobilidade com metropolitano

O prolongamento da rede do Metropolitano de Lisboa ao concelho da Amadora cumpriu uma promessa eleitoral e, apesar dos solavancos do projeto, contribuiu para melhorar a vida dos habitantes e reduzir a entrada de veículos particulares na capital.

A rede do metro chegou à Amadora em maio de 2004, transportando as aspirações das populações locais, transformadas em promessa eleitoral, em 1997, pelo então candidato socialista à autarquia, Joaquim Raposo, e marcou as acessibilidades no município nas anteriores três décadas.

O atual presidente da Assembleia Municipal, após quatro mandatos à frente do executivo (entre 1997 e 2013), recorda que o prolongamento da rede do metro ao município, criado em 1979 a partir de uma freguesia do concelho de Oeiras, “foi uma das bandeiras” da sua primeira candidatura, assente “em cinco projetos” para melhorar a vida na cidade, da segurança à reabilitação urbana.

Até então, o metro “era uma aspiração, não era uma prioridade”, nota Joaquim Raposo, que teve de convencer quem considerava que as prioridades de investimento neste tipo de transporte deviam concentrar-se no município de Lisboa.

“A ligação entre Amadora e Lisboa era uma ideia desde sempre presente. A ligação do metropolitano fez parte dos nossos cadernos de encargos com a administração central relativamente aos transportes”, garante, por seu lado, Orlando de Almeida, 73 anos, eleito presidente da autarquia pela APU e CDU durante cinco mandatos, entre 1979 e 1997.

O antigo autarca sublinha que “o Plano Diretor Municipal de 1993 já previa um canal” de proteção ao túnel ferroviário, embora reconheça que o socialista beneficiou de uma “altura” mais favorável à concretização do projeto, nomeadamente devido aos fundos comunitários.

As obras demoraram a tornar realidade as promessas impressas em ‘outdoors’ e alimentaram controvérsias partidárias, nas autárquicas de 2001, mas nessa altura só faltava lançar um dos quatro concursos para prolongar o metro ao concelho.

O metropolitano saiu pela primeira vez dos limites de Lisboa em março de 2004, com a abertura à exploração do troço Campo Grande-Odivelas, na linha amarela, e dois meses depois a linha azul chegou à Falagueira, com a inauguração da estação de Amadora Este, passando por Alfornelos a partir da Pontinha.

“Teve muita importância, tanto o metro como as circulares, em termos rodoviários, por facilitarem a vida dos moradores que precisam de ir trabalhar fora do concelho”, resume Joaquim Raposo, apontando que a conclusão da Circular Regional Interior de Lisboa (CRIL) também contribuiu para melhorar as acessibilidades e o realojamento de moradores de bairros degradados do concelho.

A socialista Carla Tavares assistiu como vereadora à inauguração da estação de Amadora Este e, cerca de 12 anos depois, como presidente da autarquia considera que “a chegada do metropolitano ao concelho, a Alfornelos e à Falagueira, e agora à Reboleira, foi um passo muito importante para a cidade da Amadora”.

“Foi aprovado pelo metropolitano e pelo Governo o plano de expansão 2010-2020, onde estava incluída a extensão à Reboleira, com ligação à ferrovia, e posteriormente ao Hospital Fernando da Fonseca”, lembra a autarca, que na abertura da Reboleira, em abril, pediu a continuação até à zona da unidade hospitalar que serve os municípios de Amadora e Sintra.

Para a presidente do município, “o grande objetivo comum deve passar por ter uma estratégia de transportes para a área metropolitana, incentivar a utilização do transporte público e retirar carros da cidade de Lisboa”.

O vereador Francisco Santos, da CDU, admite que o metro “demorou a chegar à Falagueira, levou mais 12 anos a chegar à Reboleira e ficou por cumprir a ligação ao hospital”, mas a obra foi “muito importante” para as populações locais.

Já o antigo presidente, Orlando de Almeida, perante a possibilidade de se avançar para o hospital, defende “o prolongamento a Alfragide”, contribuindo para melhorar as acessibilidades internas no município e com Lisboa.

A adjudicação do prolongamento à Reboleira ocorreu em 2008, mas os trabalhos foram suspensos devido a problemas de financiamento, impedindo a inauguração prevista inicialmente para 2010, o que só veio a concretizar-se, após o retomar dos trabalhos, em abril de 2016.

Na abertura da nova estação da Reboleira, com ligação à linha ferroviária de Sintra e um interface rodoviário, o ministro do Ambiente, João Matos Fernandes, que tutela os transportes públicos, advogou que os futuros investimentos no metro “deverão essencialmente ser destinados para o reforço da conectividade entre as linhas já existentes”.

O troço entre a Pontinha e Amadora Este, com dois quilómetros de extensão, representou um investimento global de 137 milhões de euros, e a ligação à Reboleira, com 594,3 metros, ascendeu a 59,9 milhões de euros, dos quais 43,3 milhões de verbas comunitárias.

A linha azul do metropolitano, entre Reboleira e Santa Apolónia, passou a ter 13,7 quilómetros de extensão e 18 estações.

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