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Angra do Heroísmo recorda visita de João Paulo II e quer ver Francisco na cidade

Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, 25 anos depois, não esquece o dia em que, em maio de 1991, o papa João Paulo II se tornou o primeiro e único pontífice a visitar os Açores.

As marcas que o papa de então deixou em Angra do Heroísmo, sede da diocese, já levaram ao convite para que o papa Francisco seguisse o exemplo de Karol Wojtyła.

Em setembro de 2015, o bispo de Angra, António de Sousa Braga, convidou pessoalmente Francisco a visitar os Açores em 2017, quando é esperado em Fátima, por ocasião do centenário dos acontecimentos da Cova da Iria.

Hélder Fonseca, vigário-geral da Diocese de Angra, reconhece que até à data o papa apenas manifestou “intenção de ir a Fátima”, mas espera que também o Governo Regional formalize em breve o convite. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, já formalizou oficialmente em março deste ano o convite para que o papa argentino venha a Portugal no próximo ano.

Se, por um lado, os quase 80 anos do chefe de Estado do Vaticano e a sua preocupação com os países de terceiro mundo apontam para que não se desloque aos Açores numa visita a Portugal, por outro, o bispo de Angra apelou à sua sensibilidade para com as regiões periféricas.

O vigário-geral refere que em maio decorrem as Festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, na ilha de São Miguel, e que, em 2017, no mesmo mês, se assinalam os 400 anos do martírio do beato João Baptista Machado, natural de Angra do Heroísmo. Estes são motivos que invoca como justificação para uma eventual deslocação de Francisco aos Açores.

Hélder Fonseca era um jovem pároco, numa freguesia próxima de Angra do Heroísmo, quando há 25 anos, no dia 11 de maio, o papa João Paulo II visitou duas ilhas nos Açores (Terceira e São Miguel).

“Foi um marco muito importante. Ainda hoje é um dos acontecimentos mais mediáticos em Angra do Heroísmo nos últimos 30 anos”, frisa, em declarações à agência Lusa.

O vigário-geral recorda que a “prudência excessiva” e as fortes medidas de segurança implementadas na ilha Terceira fizeram com que muitas pessoas tivessem assistido às cerimónias pela televisão.

“Acabou por condicionar muito a participação. Previa-se tanta gente que aconselharam as pessoas a acompanharem as cerimónias nas suas casas, pela televisão”, diz.

A missa que João Paulo II celebrou junto à Praça de Touros da ilha Terceira, em Angra do Heroísmo, contou com a participação de cerca de 15 mil pessoas, mas a estrada que ligava o aeroporto ao local encerrou ao trânsito às 07:00 e, por isso, muitas pessoas optaram por saudar o papa a partir das suas casas, tendo enfeitado o chão com tapetes de flores e as janelas com colchas.

O papa almoçou depois no Palácio de Santa Catarina e, no caminho de regresso ao aeroporto, fugindo ao programa, pediu para entrar na Sé Catedral de Angra do Heroísmo, onde “rezou junto do Santíssimo”.

Segundo Hélder Fonseca, a cátedra do bispo na Sé de Angra é a cadeira em que João Paulo II se sentou na missa ao ar livre, junto à Praça de Touros, e é na Catedral que se encontra também a casula que o papa vestiu e o genuflexório em que se ajoelhou para rezar.

Junto à Sé foi colocada uma estátua de João Paulo II, mas não foi só a diocese que assinalou a passagem do papa pelos Açores. O estádio de Angra do Heroísmo e o aeroporto de Ponta Delgada, em São Miguel, também receberam o seu nome e, mais recentemente, aquando da sua canonização, o mesmo aconteceu com a capela da Praça de Touros, onde se paramentou, antes da missa.

João Bosco Mota Amaral, presidente do Governo Regional em 1991, foi uma das primeiras pessoas a cumprimentar o papa à chegada, no aeroporto das Lajes, na ilha Terceira.

“Foi um grande acontecimento para todos os Açores. Foi a primeira vez – e até agora única vez – que um papa visitou os Açores e foi recebido de uma forma muito afetuosa”, salienta à agência Lusa, lembrando que o Presidente da República de então, Mário Soares, se deslocou à região de propósito.

O ex-presidente do Governo Regional recorda João Paulo II como “uma figura fascinante, que tinha um verdadeiro magnetismo e que entusiasmava as pessoas, até mesmo os jovens”.

Para Mota Amaral, o papa teve oportunidade de conhecer a “riqueza patrimonial” dos Açores e de mostrar apreço por uma terra com uma “forte tradição cristã”.

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