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Aquilino Ribeiro continua a inspirar Moimenta da Beira

Aquilino Ribeiro é a maior fonte de inspiração de Moimenta da Beira, um concelho que procura crescer associando produtos locais ao escritor, que tão bem conheceu e descreveu as gentes e as paisagens das ‘Terras do Demo’.

Vinhos, espumantes, enchidos, eventos, um jornal e uma revista inspiraram-se nos títulos das obras de Aquilino Ribeiro para ganharem visibilidade, mas também para homenagear um dos maiores mestres da literatura nacional, trasladado para o Panteão Nacional em 2007.

“Temos desde há décadas uma ligação grande entre o escritor Aquilino Ribeiro e os nossos produtos. Os nossos produtos mais conhecidos têm nomes relacionados com o mestre”, sublinha o presidente da Câmara de Moimenta da Beira, José Eduardo Ferreira.

Quem conhece a vida e obra do escritor Aquilino Ribeiro facilmente lhe reconhece a autoria do livro ‘Terras do Demo’, mas são as gentes desta região que melhor se reveem nesta expressão que, de tão bem os caracterizar, passou a ser adotada como marca para diferentes produtos.

Para o autarca de Moimenta da Beira, “é muito importante conseguir manter viva a memória do mestre, quer através da sua literatura, quer através das referências que faz na sua própria obra”.

“São referências à nossa região e aos nossos produtos, pois fala como ninguém das nossas frutas e do nosso vinho: o que estamos a fazer é aproveitar exaustivamente as referências do mestre na sua obra aos nossos produtos. No fundo, é dar visibilidade a Aquilino Ribeiro através dos nossos produtos e com eles aproveitar a notoriedade que o mestre tem a nível nacional e até internacional”, sustenta.

No seu entender, o mestre Aquilino Ribeiro – autor de obras como ‘Quando os lobos uivam’, ‘A casa grande de Romarigães’ e ‘O Malhadinhas’ – é inesgotável e a melhor forma de distinção passa por “ligar os produtos à cultura”.

“Esta ligação com o mestre garante que os nossos produtos se mantenham sempre distintos e inconfundíveis. Aquilino Ribeiro é um referencial que não tem limites e, portanto, nós aproveitamos há décadas o mestre e a sua obra e, no futuro, vamos continuar a aproveitar e até reforçar esse aproveitamento”, defende.

O evento anual ‘Expodemo’, que não é mais do que uma mostra de atividades, produtos e serviços da região, é mais uma referência ao escritor e às suas obras.

“Faz-se em Moimenta da Beira, mas em completa abertura à região, ao país e até além-fronteiras. Faz sentido a internacionalização e este ano vamos fazê-lo com mais convicção, com organizações espanholas e de uma forma mais duradoura: queremos que este mercado ibérico passe a ter grande expressão na Expodemo, à semelhança da abertura que o mestre também tinha e na qual queremos basear o nosso desenvolvimento”, afirma.

Como não podia deixar de ser, o escritor deu nome a uma fundação, que tem uma composição tripartida no seu conselho de administração, concretamente Moimenta da Beira, Sernancelhe e Vila Nova de Paiva, sendo a presidência rotativa de dois em dois anos.

Até a revista municipal, intitulada ‘Alcançar’, tem a ver com a divisa do escritor ‘alcança quem não cansa’.

Com quase seis anos de existência, esta revista, que sai de três em três meses, tem a particularidade de “divulgar o que de melhor se faz no município, não só em relação à atividade municipal, como abrange também a atividade das instituições e empresas do concelho”.

Além disto, em todas as suas edições “há sempre uma referência a Aquilino, à sua vida, à sua obra, ao seu espaço, à forma como aborda cada uma das suas áreas de vivência”.

O jornal local, um quinzenário com cerca de 20 anos, também adotou o nome ‘Terras do Demo’.

“Não há dúvidas de que a marca ‘Terras do Demo’ é uma grande referência. Já há 40 anos, o meu antecessor, o comendador Acácio Osório, já falecido, teve a feliz ideia de pedir autorização à família de Aquilino Ribeiro para colocar esse nome a um vinho branco”, lembra o presidente da Cooperativa Agrícola do Távora, João Silva.

Mais tarde, já na sua ‘era’, corria o ano de 2003, lançaram-se no fabrico de espumantes com a mesma marca: ‘Terras do Demo’.

“Dada a sua qualidade, caíram e continuam a cair no gosto do consumidor português, mas também estrangeiro. A partir daí surgiu também a marca de vinhos ‘O Malhadinhas’, título do grande romance do escritor, que muito nos honra e faz parte da nossa gama de marcas de vinhos brancos, tintos e rosés”, revela o presidente da Cooperativa

Para homenagear o escritor e a sua família foram também pensados os vinhos ‘Aquilinus’.

“Costumo dizer que quando se bebe um dos nossos copos de espumante fazemos uma homenagem a Aquilino Ribeiro, da mesma maneira que quando se lê uma obra de Aquilino, apetece-nos beber um pouco dos aromas que sobem aquelas encostas do Távora e se aninham ali junto a Moimenta da Beira, onde temos a nossa cooperativa”, diz.

João Silva tem dificuldade em perceber se o vinho se serve da literatura e do escritor ou se é contrário.

No entanto, tem uma certeza: “Ambos casam muito bem e o escritor é indiscutivelmente uma grande referência da literatura nacional e internacional. E nós sabemos honrá-lo, escolhendo um produto de grande qualidade para o homenagear”.

 

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