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Arcos de Valdevez, o Tibete português que quer ser Paisagem Cultural

Às portas do Parque Nacional da Peneda Gerês, a aldeia de Sistelo, Arcos de Valdevez, considerada o Tibete português, quer ser Paisagem Cultural para “preservar” socalcos de produção agrícola “únicos” no país e “valorizar” o potencial turístico.

Encaixada no fundo de um vale, situado às portas do único parque nacional do país, a aldeia de Sistelo integra a Rede Natura e a área daquela área protegida que, em 2009, foi classificada pela UNESCO como Reserva Mundial da Biosfera.

Os socalcos verdes, junto ao rio Vez, representativos “da relação que o homem desenvolveu com a natureza e a forma como a moldou”, as casas típicas, os moinhos e os espigueiros são “marcas de um passado com centenas de anos” que o atual presidente da Câmara de Arcos de Valdevez quer ver elevadas a Paisagem Cultural da Unesco.

“É mais um diamante na estratégia de valorização do património natural do concelho, como um dos vetores principais do desenvolvimento” local, afirma João Manuel Esteves.

Os proveitos turísticos que podem ser retirados da classificação da aldeia de Sistelo são um exemplo da estratégia definida pelo município de Arcos de Valdevez de valorização do património natural, histórico e cultural do concelho.

Esta estratégia foi iniciada, ainda na década de 1970, com a valorização dos recursos endógenos da área do concelho que está integrada no Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG). Hoje, Arcos de Valdevez “sente o retorno, quer no investimento privado, quer no aumento do número de visitantes e turistas no concelho”.

A valorização do rio Vez é outras das vantagens da classificação nacional. Os cerca de 20 quilómetros de ecovia que ligam a sede do concelho à aldeia Sistelo, ao longo do rio, e a criação de um Museu da Água ao ar livre são projetos que “reforçarão a atratividade” daquele património.

“O objetivo é recuperar um conjunto de infraestruturas hidráulicas e colocá-las ao dispor do público que poderá passear pela ecovia e ser informado da importância de todo aquele património”, explica.

A plataforma de promoção da ecocidadania em torno da figura do padre Himalaia é outro dos projetos que João Manuel Esteves quer ver concretizado, inspirado “no cientista de renome internacional ligado às energias renováveis e ao desenvolvimento sustentável”.

Nascido em 1868 em Arcos de Valdevez, Manuel António Gomes, conhecido como padre Himalaia, foi um sacerdote católico pioneiro no aproveitamento da energia solar e responsável pela introdução em Portugal do interesse pelas energias renováveis.

Se nos últimos anos Arcos de Valdevez tem vindo a colher os frutos da valorização da componente ambiental do concelho há cerca de 30 anos, no tempo do antecessor de João Manuel Esteves, a estratégia assentou na ligação ao mundo.

O ex-autarca Francisco Araújo liderou o município durante cerca de 25 anos e hoje diz não ter dúvidas de que “as acessibilidades mudaram radicalmente o perfil de Arcos de Valdevez”.

“Arcos de Valdevez deixou de ser um concelho eminentemente rural para estar ligado ao litoral e aos grandes centros urbanos. Essa facilidade de acessos foi responsável por uma forte vocação industrial do concelho”, destaca o social-democrata.

A construção das autoestradas A3, que liga Arcos de Valdevez a Braga, da A27, entre Ponte Lima e Viana do Castelo, e do IC28, que liga os concelhos de Ponte de Lima e Ponte da Barca, “atraíram investimento a Arcos de Valdevez”.

“Atualmente, temos três parques empresariais que empregam mais de 2.500 pessoas”, frisa o social-democrata, atual provedor da Santa Casa local.

A requalificação do centro histórico e das margens do rio Vez, num investimento de nove milhões de euros, e a modernização do parque escolar, são outras das mudanças destacadas por Araújo, agraciado em 2015 pelo ex-Presidente da República, Cavaco Silva, com a comenda da Ordem do Mérito.

 

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