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Associação de cariz social é o motor económico de Miranda do Corvo

Em quase 30 anos de existência, a Fundação para a Assistência e Desenvolvimento e Formação Profissional (ADFP) de Miranda do Corvo transformou-se na maior entidade empregadora do concelho e no principal motor da economia local.

Além das múltiplas valências sociais que dão respostas a crianças, adultos, idosos e pessoas com deficiência, a instituição desenvolveu projetos estruturantes que contribuem para a criação de emprego e geram mais-valias para aquele município do distrito de Coimbra, como é o caso do Parque Biológico da Serra da Lousã.

“É a única atração que Miranda do Corvo tem para trazer pessoas do Porto, de Lisboa ou do interior. E, depois, associado ao parque, vender o concelho e a região. Este é o grande projeto âncora e um farol que atrai pessoas”, salienta Jaime Ramos, o médico e antigo autarca que preside à ADFP desde a sua fundação, como associação, em novembro de 1987.

Em funcionamento desde junho de 2009, o Parque Biológico, que ocupa uma área de vários hectares na Quinta da Paiva, registou já quase 200 mil visitantes e, em 2016, ultrapassou os 27.500 mil.

Os visitantes podem observar um zoo em habitat natural com mais de 400 animais representativos da fauna nacional, 48 dos quais são espécies selvagens, e ainda um reptilário, centro para aves de rapina irrecuperáveis e um labirinto de árvores de fruto, “único no mundo”, segundo a Fundação ADFP.

Integrado no mesmo projeto, a instituição construiu o Restaurante Museu da Chanfana, o Ecomuseu Espaço da Mente e o Hotel Parque Serra da Lousã, um espaço de quatro estrelas, com 40 quartos e três suítes, que abriu em setembro de 2015.

A escassas centenas de metros, no topo de um monte, a Fundação construiu um templo ecuménico, inaugurado a 11 de setembro de 2015, que se pretende como ponto de reflexão e de fraternidade entre os homens, independentemente das suas confissões religiosas.

“Queremos que o Parque Biológico seja o início de um ‘trivium’, em que o parque representa a vida e a igualdade do homem relativamente a todos os animais, depois o Ecomuseu para mostrar a evolução do homem e a possível evolução do universo ligado à ideia da liberdade, e o templo ecuménico que representa a fraternidade”, explica Jaime Ramos, antigo presidente da Câmara de Miranda do Corvo na década de 1980 e início dos anos 1990.

Em todas as suas valências e equipamentos, a que se deve juntar também a sala de cinema de Miranda do Corvo e o Museu Vivo de Artes e Ofícios Tradicionais, a Fundação ADFP emprega diretamente 417 trabalhadores, mais 388 pessoas que mensalmente têm algum tipo de salário ou remuneração da instituição.

Nas valências sociais da instituição residem diariamente 440 pessoas, desde crianças institucionalizadas, refugiados, idosos, deficientes, vítimas de violência doméstica ou de exclusão, entre outros.

O maior projeto da instituição arrancou em junho de 2016. Trata-se do Hospital Compaixão, orçado em cerca de sete milhões de euros, cujas obras devem estar concluídas em 2019, de acordo com Jaime Ramos.

O projeto prevê uma área de construção de 4.225 metros quadrados, distribuída por três pisos e com capacidade para 55 camas, englobando um bloco operatório com duas salas de operações independentes.

“É o nosso maior investimento, o mais caro e o mais arriscado, porque somos um concelho pequeno e pobre e uma estrutura de saúde a este nível, que seria fácil de construir em Coimbra ou numa outra grande cidade, tem de ter necessariamente capacidade para atrair gente dos concelhos à volta, o que inverte a tradição histórica de Miranda do Corvo ser um consumidor dos serviços das terras vizinhas”, diz Jaime Ramos.

Segundo o médico, “o hospital só vai conseguir viver e sobreviver se se conseguir que seja incluído numa visão alargada do Serviço Nacional de Saúde, com acordos com o Estado, para que pessoas de fracos recursos possam ter acesso livre como têm a outras unidades públicas, como hoje acontece em Oliveira do Hospital ou na Mealhada”.

A preponderância local da Fundação ADFP é atestada pelo presidente da Câmara Municipal, Miguel Baptista, que salienta o crescimento sustentado e o seu contributo para a dinamização económica do município.

“Tem crescido de forma sustentada ao longo dos anos e contribuído muito para o desenvolvimento do concelho”, sublinha o autarca, considerando que, para isso, teve “particular importância o papel desempenhado por Jaime Ramos”.

O presidente da autarquia destaca ainda que a Câmara Municipal tem apoiado muitos projetos da Fundação e estabelecido parcerias a diversos níveis.

Por seu lado, o presidente da Junta de Freguesia de Miranda do Corvo, Fernando Araújo, fala de um “trabalho e investimento em crescendo, que não tem parado”.

“Tem duas áreas muito importantes: a social, com serviços e valências dos mais dotados do país, e a nível do emprego, pela forma como resolveram parte significativa do desemprego do concelho”, destaca.

Fernando Araújo, que acompanhou a evolução da instituição desde o seu começo, sublinha também o Parque Biológico da Serra da Lousã, que “colocou Miranda do Corvo no mapa, sendo hoje um dos parques mais visitados do país”.

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