Fechar
Abrir

Associação evitou devastação de vale que é agora atração de Cinfães

Uma associação de Cinfães encetou, há cerca de 20 anos, uma luta pela defesa do Vale de Bestança, que evitou a sua devastação e permitiu que se tornasse na maior atração turística do concelho na atualidade.

O responsável da Associação para a Defesa do Vale do Bestança, Jorge Ventura, recorda que na altura em que a coletividade foi criada várias empresas tinham projetos de aproveitamento hidroelétrico para aquela área nobre do concelho.

Corria o ano de 1993 quando algumas pessoas decidiram juntar-se para evitar que fosse aprovado algum tipo de projeto que tivesse por objetivo a produção de energia no vale.

“Não tínhamos dúvidas de que qualquer um destes projetos – a construção de mini-hídricas ao longo do rio, barragens, centrais de turbinagem, acessos ou implantação de linhas de alta tensão – viriam a descaracterizar o vale. E trariam uma série de impactos negativos que não seriam sentidos apenas no momento, mas que se repercutiriam ao longo do tempo”, explica.

Ao longo de uma série de anos foram desenvolvendo um trabalho de sensibilização, divulgação e oposição a este tipo de obras, conseguindo “motivar a opinião pública local e nacional”.

“O assunto chegou a plenário da Assembleia da República em 2004 e todos os grupos parlamentares concordaram que esta seria uma obra muito nociva num vale tão pequeno, com 13,5 quilómetros de rio. Tudo se conjugou no sentido da proteção deste rio”, refere.

Em 2004, “o intento de realizar algum tipo de obra no Vale do Bestança acabou por cair por terra”, com “as empresas a deixarem de demonstrar qualquer tipo de interesse”.

“Penso que começaram a perceber que havia uma certa consciência ecológica local e que havia uma posição organizada mesmo em termos jurídicos e, com empenho da população, o Vale do Bestança foi salvaguardado. O objetivo maior foi alcançado, porque em todos os rios das proximidades existem mini-hídricas e o único espaço que corre livremente é o Bestança”, acrescenta.

Mais recentemente, a Associação para a Defesa do Vale do Bestança travou nova luta com os decisores locais, no sentido de evitar a construção de uma estrada que atravessaria o vale.

“Conseguimos convencer o atual executivo camarário de que a construção de uma estrada teria um impacto tão negativo quanto a construção de barragens ou canais. As estradas mal pensadas trazem a desflorestação, incêndios, deposição de lixo e o desvirtuamento de um sítio que se quer preservar”, considera.

De acordo com Jorge Ventura, estas vitórias da associação permitiram que o vale, com todos os valores naturais preservados, fosse contribuindo para o desenvolvimento do concelho.

“Hoje em dia, o Vale do Bestança é uma mais-valia económica e turística, que está a dar os seus frutos. Recentemente, a Câmara de Cinfães inaugurou o Centro de Interpretação do Vale do Bestança, que não faria sentido se não fosse o trabalho da associação na preservação e proteção do vale”, sustenta.

O vereador do ambiente da Câmara de Cinfães, Serafim Rodrigues, não tem dúvidas de que “a associação teve uma importância fundamental para a defesa do vale”, que permite agora ‘trabalhar’ na sua divulgação enquanto destino turístico, especialmente o turismo de natureza.

“Este vale insere-se na Rede Natura 2000, que tem importância ecológica nacional e também valor a nível internacional. O vale tem tudo: tem a natureza, ainda tem algumas pessoas, é muito rico mesmo a nível do próprio património. Pode dizer-se que é um espaço diferenciador, com muitos motivos de interesse para o turista, que fica maravilhado”, sustenta.

No seu entender, o Vale do Bestança “é um dos ex-líbris do concelho: uma mais-valia em termos de turismo de natureza apreciado por toda a gente”.

“Não temos estatísticas de quantas pessoas passam pelo vale, mas pelas iniciativas que se vão fazendo estima-se que sejam milhares por ano. Cremos que o turismo de natureza seja a maior atividade económica do concelho”, conclui.

Voltar atrás