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Ato heroico de Aristides de Sousa Mendes refletido em Carregal do Sal

A ação de Aristides de Sousa Mendes, que salvou milhares de refugiados na II Guerra Mundial, tem-se refletido nos últimos anos com mais intensidade em Carregal do Sal, onde está localizada a Casa do Passal, que lhe pertenceu.

Em 2000, foi constituída a Fundação Aristides de Sousa Mendes, um passo considerado fundamental para que a Casa do Passal beneficiasse das obras que têm sido realizadas, com o objetivo de a abrir ao público até 2018.

“No país, e em Carregal do Sal, muito foi feito em honra de Aristides de Sousa Mendes nos últimos 30 anos. Mas a criação da fundação, há 16 anos, foi essencial para representar a sua memória”, diz à agência Lusa António Pedro de Moncada de Sousa Mendes, neto do antigo cônsul de Portugal em Bordéus.

Os muitos anos em que a Casa do Passal esteve em ruínas, com uma evolução da degradação visível a quem passava naquela rua de Cabanas de Viriato, motivou várias ações em defesa das obras, envolvendo pessoas de todo o país e do estrangeiro.

Em maio de 2011, mais de duas centenas de pessoas participaram no “Comboio da Boa Vontade”, caminhando desde a estação de comboios de Oliveirinha até Cabanas de Viriato com sete oliveiras, que depois foram plantadas em frente da Casa do Passal.

Outro exemplo foi o “cordão humano” que rodeou a casa em abril de 2014 para “acordar consciências” e apelar a que esta fosse salva da ruína.

O neto do antigo cônsul tem uma certeza: “A casa foi-se perdendo, em consequência do castigo a que foi sujeito Aristides de Sousa Mendes e a família, mas as ruínas falavam, interpelavam as pessoas”.

Ao passar vistos a milhares de refugiados, Aristides de Sousa Mendes permitiu-lhes fugir e sobreviver às perseguições nazis, tendo mesmo albergado alguns deles na Casa do Passal. O seu feito valeu-lhe o fim da carreira diplomática, o que o deixou, e à sua família, numa má situação económica.

António Moncada lembra que foi durante uma homenagem à memória do seu avô, em 1998, no Parlamento Europeu, que o então ministro dos Negócios Estrangeiros, Jaime Gama, falou com a família e disse: “Organizem a fundação, que nós depois ajudamos”.

“De facto, assim foi. A fundação foi criada em 2000 e, com os primeiros fundos, em 2001 adquiriu a Casa do Passal”, recorda.

A Casa do Passal foi alvo de uma primeira fase de obras, orçadas em 400 mil euros, que visaram a sustentabilidade da estrutura e do telhado e que ficaram concluídas em agosto de 2015. Até 2018 deve ser feita a recuperação do seu interior e a sua musealização.

“Hoje, a memória de Aristides de Sousa Mendes materializa-se na casa, não é apenas uma ideia vaga e que pertence à história. É algo que está a tomar forma e que vai transformar a vida dos cidadãos, sobretudo se houver um trabalho de tomada de consciência dos direitos humanos”, frisa.

Mesmo quando estava em ruínas, a Casa do Passal recebeu visitas de admiradores de Aristides de Sousa Mendes, entre os quais familiares de antigos refugiados oriundos de vários países.

O presidente da Câmara de Carregal do Sal, Rogério Abrantes, conta que desde que o exterior da casa foi requalificado se nota um aumento do número de visitantes.

Na sua opinião, com a abertura ao público “muita coisa vai mudar no concelho, não só em Cabanas de Viriato, ao nível do comércio e da restauração, porque vai começar a haver uma afluência muito grande de pessoas”.

“Ao mesmo tempo que avançam as obras na casa temos que nos preocupar com outras situações. Mas estou convencido de que, quando as coisas forem necessárias, elas começam a surgir”, afirma, dando o exemplo de Fátima, que “ao início não tinha lojas nenhumas e hoje tem milhares delas”.

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