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Auditório Carlos Paredes, o dinamizador cultural de Vila Nova de Paiva

Num concelho onde muitos nunca tinham assistido a um espetáculo de música ou teatro, foi graças à construção do Auditório Carlos Paredes, há 11 anos, que as gentes de Vila Nova de Paiva ganharam dinâmica cultural.

“Vila Nova de Paiva é um concelho com menos de seis mil habitantes e fortemente marcado pela ruralidade. Penso que até à construção do Auditório Carlos Paredes, que oferece programação regular, muitas eram as pessoas que até então nunca tinham assistido a qualquer espetáculo”, afirma o presidente do município, José Morgado.

Em declarações à Lusa, o presidente da Câmara de Vila Nova de Paiva evidencia a projeção que este equipamento, inaugurado em 2005, deu ao concelho, ganhando dinâmica cultural e alguma urbanidade devido à programação regular.

Em 11 anos de atividade permanente, passaram pelo Auditório Municipal Carlos Paredes cerca de 150 mil pessoas, que assistiram a eventos das áreas da literatura, música, teatro e cinema, ou que visitaram exposições de pintura, escultura ou artesanato.

“Penso que o Auditório teve uma resposta cultural muito forte em Vila Nova de Paiva. Podemos mesmo dizer que as suas gentes viram as suas vivências serem alteradas”, acrescenta José Morgado.

No seu entender, este foi um salto qualitativo para este concelho do distrito de Viseu, que passou a dispor mensalmente de uma oferta enorme em diferentes áreas.

“Temos noção que vêm famílias inteiras desfrutar da programação que vamos tendo. Ultimamente, temos tido algumas associações a promoverem concertos solidários com grande aceitação, com artistas locais da área da música ou do teatro a promoverem atividades, cujas receitas de bilheteira revertem para instituições de cariz social, tanto da região como do país”, aponta.

José Morgado frisa, também, que têm teatro dirigido à comunidade escolar, abordando a diversidade de linguagens e tentando abarcar o maior número de alunos de agrupamentos de escolas de concelhos vizinhos.

“Somos o único auditório, ao nível regional, com oferta para agrupamentos de escolas da região. A título de exemplo, no ano letivo 2013/2014 os teatros com a comunidade escolar chegaram a 2.425 alunos de Vila Nova de Paiva, Tarouca, Tabuaço, Castro Daire, Moimenta da Beira, Carregal do Sal, S. Pedro do Sul e Viseu”, descreve.

A par desta dinâmica cultural que o concelho ganhou, o crescimento estendeu-se também à parte comercial.

“O Auditório tem uma posição geoestratégica e vários pontos comerciais foram-se instalando à sua volta. Não tenho dúvidas de que muito disso se fica a dever a este equipamento, que trouxe outra ‘vida'”, defende.

Em 11 anos, foram mais de mil os espetáculos que passaram pelo Auditório Municipal com o nome do compositor e ímpar guitarrista português.

A música, o teatro e as exposições estão entre as preferências do público, tendo sido o ano de 2010 aquele em que recebeu maior número de visitantes: 12.435.

A responsável pelo Auditório Municipal Carlos Paredes, Graciete Salvador, explica à Lusa que nem todas as programações são de fácil aceitação, sendo necessário ter muita atenção ao que as pessoas preferem ver.

“Este é um concelho pequeno de interior e onde há temáticas mais difíceis de aceitar. A título de exemplo, sabemos que aqui os monólogos não funcionam, pois as pessoas preferem teatro mais animado e com boas histórias, onde acabem por se rir”, sublinha.

Na sua opinião, as comédias estão no topo das preferências, assim como as atuações de bandas musicais.

“No fundo, acabam por querer passar um bom bocado. E vêm famílias inteiras assistir aos nossos espetáculos, o que é muito bom e diz muito daquilo que o Auditório veio representar no seio do concelho”, destaca.

Graciete Salvador lembra, ainda, que quando o Auditório Municipal foi construído “faltava a aculturação das pessoas”.

“O autarca que pensou o auditório na altura, o engenheiro Diogo Pires, dizia que a sua construção era o mais fácil e que depois faltava o mais difícil: atrair pessoas. Tínhamos pessoas que nunca tinham entrado numa sala de espetáculos e isso foi mudando: felizmente, há novos hábitos que se foram ganhando e agora já temos pessoas que se tornaram frequentadores assíduos de diferentes momentos culturais”, sublinha.

O antigo presidente da Câmara de Vila Nova Paiva, Diogo Pires, que cumpriu dois mandatos entre 1997 e 2005, recorda que o edifício custou cerca de 1,3 milhões de euros, sendo a sala do auditório, com o nome do guitarrista português, apenas uma das valências.

“Dois terços do edifício destinam-se a ser museu arqueológico, para albergar todo o espólio encontrado na região, depois de tratado e catalogado. Na altura, chegaram a dizer que aquele edifício era um elefante branco, mas agora já o tratam como algo de relevante”, sustenta.

Diogo Pires explica, também, que este edifício tinha sido pensado para funcionar como um elemento complementar ao Parque Botânico Arbutus do Demo, que na altura via como sendo um importante motor de desenvolvimento para o concelho.

“Tenho muita pena que não haja massa crítica para ter o Parque Botânico na sua máxima força, estando aberto permanentemente. Este jardim merecia outra vida, mas ainda pode vir a constituir-se como o ex-líbris da vila”, conclui.

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