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Autódromo do Estoril, do Mundial de Fórmula 1 à polémica

Conheceu Ayrton Senna, Niki Lauda e Alain Prost quando foi palco do Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1, mas hoje, o Autódromo do Estoril, construído em 1972, em Cascais, está rendido à polémica e é pouco utilizado.

Fernanda Pires de Lima, que idealizou o projeto para ser uma referência no turismo em Cascais, emprestou o nome ao equipamento que, durante vários anos, foi considerado o principal autódromo de Portugal.

Com mais de quatro quilómetros de pista e 14 curvas, o Autódromo do Estoril recebeu durante 12 anos (1984 a 1996), o Grande Prémio de Portugal de Fórmula 1.

Foi ali que, em 1984, o austríaco Niki Lauda conquistou o tricampeonato, que o brasileiro Ayrton Senna obteve, em 1985, a primeira ‘pole position’ da sua carreira e vitória na categoria e que, em 1993, o francês Alain Prost conquistou o tetracampeonato.

No entanto, a modalidade abandonou o Estoril e o seu regresso, desejado por muitos aficionados, tem sido afastado por diversos governantes.

Atualmente, o circuito recebe competições de motociclismo e de automobilismo, em provas dos campeonatos nacionais de velocidade e resistência, mas também inclui campeonatos da Europa.

O GT Open, o European Le Mans Series, TCR International, F3 Euroformula Open e o Estoril Racing Festival são algumas das provas que ainda ali marcam presença.

Quanto à afluência, os organizadores do European Le Mans Series estimam que, em 2014, estiveram ali 17.000 espetadores, em 2015 compareceram 12.000 e, para 2016, o objetivo é aumentar esse número, chegando aos 25.000 espetadores.

O Autódromo do Estoril continua, porém, a ser notícia, mas não pelo desporto, uma vez que o equipamento, ainda pertencente ao Estado, não foi vendido à Câmara de Cascais, como as duas partes haviam acordado, por decisão do Tribunal de Costas (TdC).

Em novembro de 2015, o TdC recusou o visto prévio ao contrato celebrado entre a Câmara de Cascais e a Parpública, que agrega as participações do Estado em empresas, para a compra da CE – Circuito Estoril S.A., a sociedade anónima responsável pela gestão e exploração do Autódromo do Estoril, no valor de quase cinco milhões de euros.

O relatório do tribunal dava conta de que o equipamento “desenvolve atividades com o intuito exclusivamente mercantil” e a sua aquisição pela autarquia não terá salvaguardado os interesses da população do município.

Ainda segundo o TdC, a autarquia não apresentou os estudos técnicos necessários que deveriam ter precedido a aquisição do equipamento, e o acordo com a Parpública implicará a “assunção de obrigações contratuais suscetíveis de gerar despesa”, sem que tenha sido garantida a “existência de fundos disponíveis” para a suportar.

O tribunal refere-se, concretamente, à hipótese de o valor de aquisição da sociedade detentora do autódromo vir a sofrer uma revisão em alta, num montante máximo de 2,5 milhões de euros, dependendo dos resultados de uma auditoria às contas da empresa a ser promovida pela autarquia.

Entretanto, a Câmara de Cascais, liderada por Carlos Carreiras (PSD), recorreu da decisão e o futuro do equipamento está ainda em aberto.

Aquando da celebração do contrato de compra e venda, o autarca adiantou que havia recebido propostas de interessados em desenvolver “os mais diversos investimentos naquele equipamento, todos eles potenciadores da atividade económica, aumentando a capacidade de atração turística, sendo desta forma geradores de riqueza e de emprego”.

Para o espaço, a autarquia admitia a possibilidade de instalar um kartódromo e um autódromo virtual e incluí-lo num “museu dedicado ao motor”, que integrasse oficinas especializadas em veículos clássicos e contemporâneos.

Além disso, seria ainda possível instalar uma pista dedicada ao ensino, formação e capacitação em segurança rodoviária e testes de segurança, bem como criar um centro de investigação de desenvolvimento da indústria automóvel e das suas formas de interação com as cidades e o ambiente.

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