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Autoestrada de ligação ao Porto acelerou desenvolvimento de Amarante

A ligação por autoestrada do Porto a Amarante (A4), em setembro de 1995, após longos anos de espera, acelerou o desenvolvimento deste concelho e a coesão do distrito, defendem o atual e o ex-presidente da Câmara.

Os dois autarcas, José Luís Gaspar, do PSD, e Armindo Abreu, do PS, em declarações à agência Lusa, consideraram que a melhoria da mobilidade em direção à capital do distrito, e vice-versa, teve grande importância para Amarante, nomeadamente no plano económico.

“As empresas de Amarante ficaram mais próximas das infraestruturas aeroportuárias fundamentais para a exportação dos seus produtos”, assinala o atual líder do município, José Luís Gaspar.

A inauguração do troço de 19,9 quilómetros da A4, entre em Penafiel e Amarante, foi presidida por Cavaco Silva, então chefe do Governo, semanas antes das legislativas de 1995, um momento de festa, mas marcado por polémica por não ter sido, alegadamente convidada, a câmara local, do PS, recorda hoje Armindo Abreu.

Polémicas à parte, duas décadas depois, ambos os presidentes ouvidos pela Lusa acreditam que, desde a abertura da autoestrada, mais turistas visitaram Amarante.

Armindo Abreu foi presidente de câmara de outubro de 1995 a outubro de 2009, mas à data da inauguração, em pleno período de pré-campanha eleitoral para as legislativas, era ainda o jovem socialista Francisco Assis, então candidato a deputado, que liderava o município.

Com a vitória de Guterres, Assis foi eleito para a Assembleia da República e substituído na autarquia pelo seu número dois, Armindo Abreu, que governou o município até às autárquicas de 2009, quando foi eleito presidente da Assembleia Municipal, apesar de o PS, que era poder desde 1989, ter perdido a Câmara para o PSD de José Luís Gaspar.

Armindo Abreu destaca que a autoestrada fez com deixasse de ser obrigatória a utilização da EN 15, na ligação ao Porto (63 quilómetros), estrada que, já à época, estava muito congestionada, atravessando áreas urbanas de vários concelhos (Felgueiras, Lousada, Penafiel, Paredes e Valongo) até chegar ao Porto. Antes da autoestrada, chegar ao Porto a partir de Amarante demorava quase duas horas. Atualmente, pela A4, a viagem demora cerca de 45 minutos, cumprindo-se os limites de velocidade.

“Os efeitos foram positivos, mas dificilmente quantificáveis, porque muitos deles, se não todos, têm causas complexas”, assinala o socialista.

Apesar disso, prossegue o ex-autarca, “é evidente que a existência da autoestrada constituiu um salto qualitativo muito grande na mobilidade rodoviária, que é sempre um fator importantíssimo na competitividade territorial e, consequentemente, no desenvolvimento”.

Já para o atual presidente, a A4 é um elemento central para a competitividade de Amarante no contexto regional, nacional e internacional. Gaspar enfatiza o quão importante é garantir uma acessibilidade a Amarante, para potenciar a atratividade turística da cidade.

“Amarante é uma cidade e um concelho com grande potencial turístico. Termos uma ligação rápida ao Porto é fundamental para os turistas, incluindo os estrangeiros, poderem chegar a Amarante em pouco mais de meia hora”, considera o social-democrata.

O autarca defende que sem a autoestrada A4 até o Porto não teria sido possível “o enorme crescimento ao nível do turismo”, como reportam os números oficiais de dormidas de visitantes nacionais e estrangeiros.

Do lado da associação empresarial, também se olha para a ligação ao Porto como um fator de competitividade.

“Criou novos desafios, mas também contribuiu para diminuir os custos de contexto para as empresas, sobretudo ao nível de transporte de mercadorias”, declara o presidente, Luís Miguel Ribeiro.

Ao invés, assinala, ao nível do comércio e serviços, a A4 “provocou um efeito de reestruturação e renovação, com impactos negativos numa primeira fase”.

No entanto, conclui o empresário, os impactos já se “começam a refletir num comércio mais moderno e dinâmico, capaz de atrair pessoas de fora do concelho”.

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