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“Boom” da construção em Braga retrata crescimento da Universidade

O “boom” da construção em Braga foi o “espelho” da explosão demográfica que o crescimento da Universidade do Minho provocou no concelho, realidades que marcaram os últimos 30 anos da história do concelho e que “não podem ser dissociadas”.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Industrial do Minho (AIMinho), António Marques, traça o paralelismo entre a expansão da Academia minhota e a afirmação do setor da construção em Braga, lembrando que o mercado habitacional era “muito pequeno” aquando da fixação da Universidade do Minho (UMinho) na cidade.

No mesmo sentido, o ex-presidente da Câmara Municipal Mesquita Machado, que liderou a autarquia 37 anos e é apontado como um dos “responsáveis” pelo crescimento do setor da construção na cidade, explica que quando foi eleito havia uma “enorme carência” de habitações, pelo que apontou como linha orientadora uma política de solos que garantisse o crescimento do mercado urbanístico.

“A expansão da Universidade do Minho, instituída há já 40 anos, levou a uma explosão demográfica ao atrair estudantes, professores e novas empresas ao concelho e à cidade. O setor da construção tornou-se o espelho do crescimento da universidade. Era preciso alojar toda aquela gente”, aponta António Marques.

Aliada ao “cada vez maior” afluxo de gente, a “quase inexistência” de um mercado habitacional tornou Braga solo fértil para instalação de pequenas, médias e, até, grandes empresas de construção, situação em muito possibilitada pelo responsável político bracarense Mesquita Machado.

“A partir do momento em que se percebe que o poder autárquico estava a seguir uma política de solos favorável à construção, o setor cresce e torna-se num dos pilares da economia do concelho, com empresas a dar cartas a nível nacional e internacional”, refere o responsável pela AIMinho nos últimos 14 anos.

Essa “sensibilidade” política é explicada, segundo Mesquita Machado, pela própria lei do mercado.

“Quando fui eleito, havia uma enorme carência de habitações. As pessoas queriam vir morar para Braga mas não havia casas. E é impossível não associar o crescimento da Universidade do Minho ao aumento cada vez notório da procura de habitação na cidade”, frisa o ex-autarca.

Por isso, explica, “o que se fez foi uma municipalização dos solos para desbloquear os entraves a quem quisesse construir”, uma vez que, recordou, “uma das queixas mais apontadas era a inexistência de terrenos disponíveis” para a construção.

“Desta forma, conseguiu-se criar em Braga um mercado habitacional muito atrativo e com preços muito mais baixos do que no resto do país. Mas não se pode falar do crescimento urbanístico sem referir o crescimento da Universidade do Minho. São indissociáveis”, conclui.

Também para o reitor da Universidade do Minho, António Cunha, a história dos últimos 30 anos de Braga cruza-se com a da academia.

“A Universidade conta já com 41 anos, com um crescimento muito marcado nos anos 80 e 90, havendo, também, uma grande migração das aldeias para a cidade de pessoas atraídas pela universidade, assim como de milhares de estudantes. Era impossível este afluxo de gente não ter impacto económico em Braga, nomeadamente no setor da construção”, aponta.

No entanto, embora não seja possível dissociar o crescimento da academia minhota do “boom” do setor da construção, houve um momento em que ambos se separaram.

“Nos últimos anos assistimos a um decréscimo na construção, muito devido à crise que atingiu o país e a Europa. O setor regrediu, tal como a economia regrediu”, salienta António Marques.

Já a Universidade, continua em expansão.

“Atualmente, a universidade envolve cerca de 22 mil pessoas. Crescemos nos últimos anos e continuamos a perseguir esse objetivo” de expansão, realça António Cunha.

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