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Casa da Ínsua leva à “invasão” espanhola de Penalva do Castelo

A transformação do solar oitocentisca Casa da Ínsua numa unidade hoteleira de cinco estrelas atrai, desde 2009, muitos turistas a Penalva do Castelo, sobretudo espanhóis, estando os comerciantes ainda a adaptar-se a esta realidade.

Situada no coração de uma quinta, a Casa da Ínsua foi mandada erigir no século XVIII por Luís de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres e mostra memórias das viagens e interesses do seu fundador na arquitetura, decoração, objetos e “jardins românticos”.

“Era uma quinta que se limitava aos seus produtos, como vinho, queijo, fruta e azeite. Com a abertura do hotel de charme do grupo Visabeira manteve essa componente, mas passou a ter vida diária”, diz à agência Lusa o presidente da Câmara de Penalva do Castelo, Francisco Carvalho.

Desde agosto de 2009 – após um investimento na ordem dos dez milhões de euros – que a Casa da Ínsua já atraía muitos turistas a Penalva do Castelo, mas esse movimento acentuou-se desde que, no ano passado, passou a ser a primeira unidade da rede Paradores fora de Espanha.

“Agora, isto está sempre cheio de espanhóis. Diariamente devem passar por aqui entre 80 a 100”, estima.

O autarca lamenta que, no entanto, os comerciantes de Penalva do Castelo ainda não tenham sabido explorar esta realidade, quer ao nível da restauração, quer de lojas que vendam artigos de que os turistas gostam.

Francisco Carvalho exemplifica que “os espanhóis gostam de jantar muito tarde, por volta das 23:00, e os restaurantes a essa hora já não têm ninguém na cozinha”.

“Já houve um restaurante que se adaptou. O dono e a esposa ficam à espera dos espanhóis para lhes confecionar a comida que eles gostam. Mas eu queria mais”, frisa.

Por outro lado, “faltam aquelas lojinhas de artesanato e de produtos endógenos da região de que os turistas gostam, para que não tenham de se deslocar a Viseu”, acrescenta.

O autarca conta que já tem dado “pistas aos comerciantes mais entendedores” no sentido de os motivar. “Até lhes disse que, se eu não estivesse na Câmara, já tinha aberto uma loja de artesanato, à semelhança das que existem na Serra da Estrela, em que venderia artesanato local e também o vinho do Dão, o queijo Serra da Estrela, a maçã Bravo de Esmolfe e outros produtos da terra”, afirma Francisco Carvalho.

Da parte da Câmara, garante que está tudo a ser feito para aproveitar esta “onda” de espanhóis, até porque são turistas com poder de compra elevado.

“É um turista refinado, não se sujeita a qualquer coisa. Prefere pagar mais, mas ter qualidade”, considera.

Francisco Carvalho diz já ter falado com responsáveis do hotel, disponibilizando-lhes carrinhas do município para levar os turistas a fazer um roteiro pelo concelho que inclua não só a visita a monumentos, mas também a produtores de vinho, de queijo e de maçã.

“Temos uma funcionária de Turismo sempre disponível para os informar. Ela indica-lhes onde devem ir e, se se agruparem, a carrinha da Câmara vai levá-los”, acrescenta.

O presidente da Visabeira Turismo, José Luís Nogueira, explica que o acordo estabelecido com os Paradores de Espanha se centra “na comercialização da Casa da Ínsua num mercado tão vasto como é o espanhol”.

“Tiramos partido da existência de um clube – Amigos dos Paradores, com vários milhares de membros – que, desta forma, passam a conhecer a unidade e são potenciais clientes”, frisa.

Segundo o responsável, “a rede comercial dos Paradores é muito vasta e, graças à sua implantação a nível internacional, as vendas para a Casa da Ínsua encontram um potencial vastíssimo”.

A gestão operacional da Casa da Ínsua continua a ser do Grupo Visabeira e os resultados desta parceria têm sido “muito positivos”.

“O Parador Casa da Ínsua tem tido uma elevada procura, atingindo até junho [de 2016]57% de taxa de ocupação, com muitos turistas estrangeiros, passando Penalva do Castelo a estar na rota sobretudo dos espanhóis”, sublinha.

Neste hotel de charme, os clientes podem descansar no jardim à sombra de eucaliptos antigos e admirar trabalhos artísticos, nomeadamente de Luís Leopoldo Battistini e Nicola Bigaglia. O seu núcleo museológico está aberto aos hóspedes e ao público em geral.

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