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Castelo de Vide recorda com emoção incêndio que dizimou concelho

Castelo de Vide, vila conhecida como “Sintra do Alentejo”, ainda hoje recorda com emoção o incêndio ocorrido na serra de São Paulo, em 2003, catástrofe que dizimou 70% do território concelhio e ceifou a vida a duas pessoas.

Durante três dias, a vila turística, localizada no distrito de Portalegre, assistiu com um “sentimento de impotência” a um fogo que teve início a 31 de julho, pelas 14:15, e que acabou por tirar a vida a um agricultor e a um bombeiro da corporação local, quando combatiam as chamas.

“É um episódio que nos persegue para o resto da vida, um sentimento de impotência e de incapacidade que passou por todo o povo”, recorda à agência Lusa António Pita, presidente da Câmara de Castelo de Vide, que, na altura da catástrofe, exercia o cargo de vice-presidente do município.

Com ignição em plena Serra de São Paulo, o fogo consumiu “cerca de 70 por cento” do território do concelho, entre zonas agrícolas e florestais.

“O impacto foi brutal, com a serra de São Paulo a ficar parcialmente destruída, principalmente nas áreas resinosas. Ainda hoje se desconhecem as causas do incêndio, que levou as autoridades, na altura, a considerar Castelo de Vide como “uma zona de calamidade pública”, lembra.

Além das duas vítimas mortais a lamentar, parte da população perdeu os seus bens, como foi o caso de um investidor holandês que tinha chegado há cerca de um ano a Castelo de Vide, onde adquiriu uma quinta, com cerca de 30 hectares, para desenvolver um projeto de turismo rural.

“O pé-de-meia que ele tinha foi aplicado na aquisição da quinta e, de um momento para o outro, ficou sem nada, com a quinta reduzida a cinzas e nem dinheiro tinha para regressar ao seu país”, recorda António Pita.

No entanto, relata o autarca, o investidor, com o passar dos anos, “deu a volta por cima”, conseguiu reerguer a quinta e hoje em dia é considerado um “empresário de sucesso”, recebendo anualmente na sua propriedade “milhares de turistas”, sobretudo estrangeiros.

Quando o incêndio deflagrou, Pedro Rabaça assumiu o comando dos bombeiros de Castelo de Vide e hoje lembra como “foi complicado” o combate às chamas.

Os meios de que dispunha “eram muito limitados” e, na mesma altura, havia vários incêndios noutras zonas do país, tendo sido deslocados viaturas e operacionais do distrito de Portalegre para Castelo Branco.

“O incêndio foi vivido com toda a intensidade e preocupação. Tivemos de fazer de ‘gato-sapato’ para resolver as coisas da melhor forma”, diz.

Reconhecendo que a morte de “um dos seus” afetou a corporação em termos psicológicos, Pedro Rabaça lembra que a catástrofe também contribuiu para “unir ainda mais” toda a equipa dos bombeiros.

Para evitar nova tragédia, o município de Castelo de Vide tem realizado várias ações de prevenção na serra de São Paulo, como a reflorestação e a eliminação de acácias, espécie que se tornou numa “ameaça descontrolada” para associações florestais, autarquias, empresas e particulares.

A correção das copas das árvores, a constituição de uma equipa de sapadores florestais, composta por cinco elementos, e a criação de um gabinete florestal foram outras das medidas tomadas.

Em colaboração com o Exército Português, a autarquia abriu ainda um acesso numa das encostas da serra, o que permite aos bombeiros aceder ao ponto mais alto e, dessa forma, desenvolver o combate às chamas de uma forma mais rápida e eficaz.

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