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Cavalo Lusitano marca o “galope” da economia de Alter do Chão

A coudelaria mais antiga do mundo, de Alter do Chão, assume-se hoje como “motor” económico do concelho alentejano, sobretudo no emprego e turismo, “cavalgando” o seu desenvolvimento entre o mundo do ensino e da ciência.

Fundada pelo rei D. João V em 1748, a Coudelaria de Alter, vocacionada para a preservação e aperfeiçoamento da raça do cavalo Lusitano, possui atualmente um efetivo de meio milhar de equinos e abrange uma área que se estende ao longo de 782 hectares, na Tapada do Arneiro, em Alter do Chão, no distrito de Portalegre.

Depois de ter sobrevivido mais de dois séculos e meio, com altos e baixos, a antiga Coudelaria Real, hoje gerida pela Companhia das Lezírias, abriu espaço ao futuro com a criação, em 1998, de um laboratório de genética molecular e a abertura, em 1994, de uma escola profissional, com 160 alunos oriundos de todo o país.

“A economia desta vila vive muito da Escola Profissional de Desenvolvimento Rural”, reconhece à agência Lusa Maria Matos, diretora do estabelecimento de ensino, que funciona no espaço da coudelaria e oferece cursos profissionais de gestão equina e de produção agrária, com equivalência até ao 12.º de escolaridade.

A par do ensino e da preservação do património genético animal da raça lusitana, a aposta passa também por um laboratório de genética molecular, projeto “único” no país e que é considerado uma das “joias da coroa” da coudelaria.

“O laboratório funciona como um ‘juiz’ na certificação das raças, principalmente do Cavalo Puro Sangue Lusitano”, segundo o responsável pela produção equina da coudelaria, Francisco Beja.

Aquela estrutura, explica Francisco Beja à Lusa, faz o controlo de filiação e identificação de equinos, com recurso a tecnologias baseadas na análise de ADN, assegurando a garantia de fidedignidade das genealogias a inscrever no Registo Nacional de Equídeos (RNE) e nos respetivos ‘stud-books’ de propriedade do Estado.

Além de fazer o controlo e a manutenção do banco de ADN da raça Lusitana, assegurando a inclusão de todo o efetivo mundial de equinos inscritos no livro genealógico da raça Lusitana, mantém ainda relações técnicas com os laboratórios de todos os países, especialmente onde é criado o cavalo de raça Lusitana, como o México, Brasil, Estados Unidos da América, França e Alemanha.

A gestão e manutenção do banco de ADN de todo o efetivo da raça Lusitana possibilita, ainda, a diferenciação de linhagens por maior ou menor grau de parentesco, “contribuindo decisivamente para a salvaguarda da variabilidade genética da raça, condição que é considerada necessária para o seu progresso”, diz Francisco Beja.

Para o presidente da Câmara Municipal de Alter do Chão, Joviano Vitorino, a coudelaria e a Escola Profissional de Desenvolvimento Rural “são os pulmões do concelho”.

“A economia desta vila depende muito destas duas instituições”, afirma.

Reconhecendo que os alunos da escola “dão vida” à hotelaria e restauração do concelho, Joviano Vitorino indica que nas diferentes valências da coudelaria, onde também se inclui a falcoaria, “trabalham cerca de 100 pessoas”.

Quanto às perspetivas futuras, Francisco Beja e Joviano Vitorino comungam da mesma opinião: o futuro da coudelaria passa por mais projetos de “turismo de qualidade, geridos por quem sabe”, no sentido de “atrair mais visitantes”.

“O que falta é o ‘click’ para a parte turística, como forma de desenvolver, ainda mais, todo o potencial da coudelaria, pois o espaço tem muito para oferecer desde que a área turística seja gerida por operadores de qualidade”, defende o autarca.

Os primeiros passos nesse sentido já foram dados, com o município e a Companhia das Lezírias a celebrarem um protocolo de cooperação para candidatar a coudelaria a Património Cultural Imaterial da Humanidade, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).

 

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