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Celorico da Beira aposta em ser Capital do Queijo Serra da Estrela

A Câmara Municipal de Celorico da Beira adotou o epíteto de Capital do Queijo Serra da Estrela e valorizou um produto tradicional da região, que continua a ter um grande peso na economia local.

A designação de Capital do Queijo Serra da Estrela surgiu “no sentido de dar publicidade e de ser um chamariz para a terra” que sempre “deu cartas” na produção de queijo a partir do leite de ovelha da raça bordaleira, conta à agência Lusa José Albano Ferreira, poeta e investigador autodidata, natural e residente em Celorico da Beira.

Este município do distrito da Guarda passou a dar maior destaque ao epíteto na década de 1990, com a realização das feiras anuais dedicadas ao queijo, “que tiveram visibilidade em termos nacionais pela vinda de membros do Governo”, assinala.

“Celorico da Beira apanhou o título de Capital do Queijo Serra da Estrela porque o seu mercado quinzenal era aquele que transacionava mais arrobas de queijo na região, que seguiam para Lisboa e para o Porto, no princípio do século XX por comboio e, posteriormente, por camião”, recorda José Albano Ferreira.

Entretanto, como a distribuição “deixou de ser feita” e os compradores passaram a adquirir o queijo de ovelha diretamente aos produtores, “o mercado do queijo deixou de se fazer e a Câmara Municipal decidiu realizar uma grande feira anual do queijo da Serra [da Estrela], em homenagem ao pastor e ao próprio queijo”, prossegue.

Este habitante, que considera o queijo “o petróleo branco” de Celorico da Beira, diz que a designação de Capital do Queijo Serra da Estrela corresponde à importância que aquele produto tem para a economia local, lembrando que “muitas famílias vivem” do setor que, ainda hoje, é equivalente “a uma grande fábrica”.

“Ainda hoje, é aquele concelho que tem mais produtores a certificar queijo Serra da Estrela”, aponta.

José Albano Ferreira augura “um bom futuro” para o setor queijeiro do seu concelho, pois considera que produz “o melhor queijo de toda a região demarcada” da Serra da Estrela.

“A explicação é simples: é atendendo à disposição do relevo, porque as encostas da serra viradas a norte são as que dão melhor leite”, justifica.

O responsável destaca, também, a iniciativa da autarquia de Celorico da Beira que, no final da década de 1990, criou o Solar do Queijo da Serra da Estrela, “uma coisa boa para divulgar e vender o queijo ao longo de todo o ano”.

Para José Albano Ferreira, a designação de Celorico da Beira como capital do queijo produzido na região “obriga” também o município a “continuar a olhar para o setor” e a pugnar pelo seu futuro.

Em sua opinião, “ainda é preciso fazer com que os mais novos olhem para o rebanho [das ovelhas]e o vejam como algo que é produtivo”.

“É preciso dar formação às novas gerações. O ensino profissional da região deve pensar numa formação específica para os novos produtores de queijo, segundo as novas técnicas, sobretudo de ordenha e de fabrico”, defende.

O município de Celorico da Beira anunciou já que tenciona criar um Observatório e um Polo de Investigação na área do queijo Serra da Estrela para estudo e divulgação daquele produto.

Segundo o vice-presidente da autarquia, José Luís Cabral, a autarquia pretende candidatar o projeto, previsto para o edifício do antigo Mercado do Gado, a fundos comunitários no âmbito do Portugal 2020.

A região demarcada de produção do queijo Serra da Estrela abrange 18 municípios: Carregal do Sal, Celorico da Beira, Fornos de Algodres, Gouveia, Mangualde, Manteigas, Nelas, Oliveira do Hospital, Penalva do Castelo, Seia, Aguiar da Beira, Arganil, Covilhã, Guarda, Tábua, Tondela, Trancoso e Viseu.

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