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Central Solar de Amareleja trouxe empresas, emprego e dinheiro a autarquias

A Central Solar de Amareleja, a funcionar desde 2008 e que chegou a ser a maior do mundo, é um dos projetos mais importantes do concelho de Moura, no Alentejo, atraindo empresas, emprego e dinheiro a autarquias.

A infraestrutura “é um dos projetos mais importantes para o concelho de Moura”, no distrito de Beja, porque “lhe deu notoriedade e permitiu a criação de empresas do setor das energias renováveis e postos de trabalho”, diz à agência Lusa José Maria Pós-de-Mina, que liderou a Câmara Municipal entre 1997 e 2013.

Por outro lado, pela forma como foi desenvolvido, o projeto da central, que andou na “boca de toda a gente”, porque era a maior do mundo quando começou a funcionar, em dezembro de 2008, “permitiu robustecer” as finanças da Câmara de Moura e da Junta de Freguesia de Amareleja, refere.

O atual presidente do município, Santiago Macias, frisa também à agência Lusa que, com a instalação da central, o concelho, “pela primeira vez em muitos anos, teve um investimento assinalável, que criou um clima de confiança e de expectativas positivas em relação ao futuro”, trouxe “rendimentos efetivos” à Câmara e à Junta e permitiu criar empresas e postos de trabalho.

Segundo Pós-de-Mina, a Câmara “obteve um encaixe financeiro de cerca de 15 milhões de euros” em 2006, quando vendeu à empresa espanhola Acciona a sua participação na empresa Amper Central Solar, que foi criada pelo município e detém a licença da central.

O dinheiro permitiu à Câmara fazer “vários investimentos importantes”, como um de 10 milhões de euros em ações de regeneração urbana, cuja comparticipação nacional foi assegurada pela autarquia através do encaixe, e dotar o concelho de várias infraestruturas.

A Acciona, quando comprou a Amper, também disponibilizou, lembra Pós-de-Mina, dois fundos sociais para a autarquia, um de três milhões de euros e outro de 500 mil euros.

O fundo de 500 mil euros serviu para construir infraestruturas, como o campo de futebol de Amareleja, e o de três milhões destinou-se a outros projetos, como a criação do Parque Tecnológico de Moura, para instalação de empresas, sobretudo do setor das energias renováveis, e da empresa municipal Lógica, dedicada à investigação e que presta serviços no setor da energia solar e emprega 12 pessoas, e o cofinanciamento de instalações de painéis solares para produção de energia de microgeração.

Já a Junta de Freguesia de Amareleja, por ser proprietária de uma parte dos terrenos ocupados pela central, recebe da Acciona, desde 2008 e durante 25 anos, o período de funcionamento da infraestrutura, uma renda anual de cerca de 90 mil euros relativa ao aluguer das terras, adianta Pós-de-Mina.

Para o presidente da Junta de Freguesia de Amareleja, António Gonçalves, a central é “uma mais-valia e um projeto importante” para a localidade, já que “criou postos de trabalho” e permite a renda, que é “uma fonte de financiamento extra” e tem quase o mesmo valor da verba que a autarquia recebe anualmente do Fundo de Financiamento das Freguesias.

O projeto começou a ser pensado em 2002, quando a consultora Renatura Networks apresentou a ideia à Câmara de Moura, que a “abraçou, a pensar no desenvolvimento sustentável do concelho”, e criou a empresa Amper para construir a central.

A qualidade e a quantidade da radiação solar e a disponibilidade de terrenos na Amareleja, considerada a “terra mais quente de Portugal”, devido aos recordes de temperatura máxima no verão, levaram a Acciona a investir 261 milhões de euros na construção da central para produzir energia limpa durante 25 anos.

A central tem uma capacidade total instalada de 46,41 megawatts e produz 93 gigawatts/hora de energia por ano, o suficiente para abastecer 35 mil habitações e poupar cerca de 90 mil toneladas de emissões de gases com efeito de estufa (CO2).

A central, que durante a fase de instalação empregou temporariamente 220 pessoas e, atualmente, tem 12 trabalhadores permanentes, ocupa 250 hectares e é composta por 2.520 seguidores solares, com 104 painéis fotovoltaicos cada.

O projeto incluiu também a criação, no Parque Tecnológico de Moura, de uma fábrica de painéis fotovoltaicos, que implicou um investimento de 10 milhões de euros, tem 105 trabalhadores e é propriedade da Acciona, mas a produção é gerida por uma empresa chinesa.

Segundo Pós-de-Mina, “as expectativas à volta do projeto associado à central eram mais fortes, mas não foi possível concretizar outros projetos ligados à energia solar devido à crise económica, que começou em 2008 e fragilizou um pouco o setor das energias renováveis”.

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