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Centro de Cultura Judaica valoriza Trancoso

O Centro de Interpretação da Cultura Judaica Isaac Cardoso, que abriu em Trancoso, em 2012, contribuiu para a valorização do centro histórico local e para a dinamização social, cultural e económica da cidade.

O equipamento foi construído pela autarquia local, então liderada pelo social-democrata Júlio Sarmento, com o objetivo de captar visitantes e divulgar o legado judaico.

O Centro de Interpretação da Cultura Judaica “valoriza o centro histórico de Trancoso, tornando-o polo difusor do conhecimento e estudo da presença judaica”, e favorece “uma maior afluência de visitantes a Trancoso, designadamente judeus, não só de Israel mas de outros países e continentes”, diz à agência Lusa o seu mentor.

José Domingos, jornalista, investigador e historiador que usa o nome judaico de José Levy Domingos, refere que os visitantes podem usufruir “de um espaço cultural, com significado religioso e de memória de um povo que em muito contribuiu para a dinamização social, cultural e económica de Trancoso, especificamente, mas do país em geral e, sobretudo, das Beiras e zonas transfronteiriças com Espanha”.

O equipamento, que é dedicado a Isaac Cardoso, médico judeu que nasceu no início do século XVII naquela localidade do distrito da Guarda, tem uma sala de exposições, um memorial das vítimas da Inquisição e uma pequena sinagoga para o culto dos visitantes judeus denominada ‘Beit Mayim Hayim’ (Casa das Águas Vivas).

José Levy Domingos lembra que no espaço de exposição foram colocados alguns objetos, na sua maioria pertencentes à sua família, nomeadamente “livros e documentos que mostram um pouco da vivência religiosa que determinou, e determina, a identidade judaica”.

O centro “pretende ser um local de memória e fé evocativo da presença do povo judeu em Trancoso, que até aos dias de hoje deixou marcas profundas na vida social, económica e cultural”, assinala.

Contou que o projeto surgiu no seguimento de uma proposta que fez ao município, então presidido por Júlio Sarmento, “com vista à preservação da memória da presença judaica” na antiga vila medieval, hoje cidade.

O equipamento cultural, segundo Domingos, também pretende afirmar Trancoso “como referência nacional e internacional no contacto de história, tradição e memória judaica, atrair turistas, estudiosos e investigadores a Trancoso e região”.

“Pode estimar-se em mais de 40 mil judeus oriundos de vários países, mas sobretudo de Israel, o número de visitantes nos últimos dois anos ao Centro de Interpretação da Cultura Judaica Isaac Cardoso”, assegura.

Em sua opinião, a afluência de turistas “tem sido benéfica para a economia de Trancoso e a sua animação em termos de turismo cultural religioso, particularmente a restauração e cafetaria, mas também o pequeno comércio”.

O presidente da Câmara Municipal de Trancoso, Amílcar Salvador, considera que o seu concelho tem um património histórico “invejável” e que, em termos de turismo religioso, o Centro de Interpretação da Cultura Judaica Isaac Cardoso é “extremamente importante”.

“São, de facto, muitos os turistas que vêm a Trancoso para fazerem as celebrações, para visitarem, para terem conhecimento dos judeus importantes condenados [pela Inquisição]”, declara.

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