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Centro Cultural Raiano de Idanha-a-Nova abriu a região à Cultura

O Centro Cultural Raiano (CCR), em Idanha-a-Nova, inaugurado em 1997, admirado por todos os que visitam esta vila do distrito de Castelo Branco, é considerado pelas gentes locais como o último castelo construído no concelho.

“Naquela altura, nem a Idanha, nem a região, tinha nada [em termos culturais]. Em 1995, quando se avançou com o projeto do CCR, não havia uma sala de espetáculos de jeito na região, nem havia algo que se pudesse considerar um equipamento cultural”, recorda o antigo presidente da Câmara de Idanha-a-Nova Joaquim Morão.

A ideia é corroborada pelo arquiteto Luís Marçal Grilo, o autor do projeto, que explica que pretendeu que o edifício “representasse a luta entre o interior e o litoral, no que diz respeito à cultura”.

“Este é o último castelo para defender a cultura do interior do país relativamente ao litoral”, diz.

A ideia de avançar com um equipamento cultural da dimensão do CCR na vila de Idanha-a-Nova, com 2.800 metros quadrados, três salas de exposições e um auditório com capacidade para 260 lugares, não foi pacífica.

“Houve muitas críticas e até quem considerasse o projeto megalómano”, lembra Joaquim Morão.

Opinião idêntica revela Luís Marçal Grilo, que realça as “muitas críticas” ao projeto, não só de índole política, mas também daqueles que achavam que era uma obra “pavorosa” pela sua dimensão.

“No final [obra concluída], reconheceram que arquitetonicamente funcionou muito bem. Trata-se de um edifício onde houve o cuidado de o fazer, sem precisar praticamente de conservação, o que neste país é fundamental, uma vez que não se conservam as coisas”, sublinha.

O arquiteto adianta que, passados quase 20 anos desde a sua construção, o CCR “tem uma das maiores salas de museu que há no país”.

Já o ex-autarca de Idanha-a-Nova explica que a ideia de avançar com a construção do CCR surgiu, precisamente, pelo facto de o concelho ser agrícola e ter um património cultural “muito rico e vasto”, nomeadamente a nível etnográfico.

“Somos um concelho agrícola e temos um valioso património etnográfico. Então pensei: ou é agora ou nunca que recuperamos este património. A outra razão prende-se com o facto de Idanha-a-Nova ter várias aldeias históricas, integrar o Parque Natural do Tejo Internacional, ter estâncias termais, a paisagem, mas não tinha um polo cultural”, sustenta.

A ausência desse polo que pudesse ser um chamariz, em termos turísticos e culturais para o concelho e para a região, esteve na base do projeto do CCR.

“Decidimos avançar com a construção e, na altura, fomos buscar pessoas conceituadas para nos ajudar. O projeto foi feito pelo arquiteto Marçal Grilo e o antropólogo Pais de Brito, que era o diretor do Museu Nacional de Etnologia, juntou-se para nos ajudar a montar as exposições permanentes das alfaias agrícolas e da olaria”.

Joaquim Morão realça a construção deste “grande” polo cultural, que, à data, “foi de grande relevo, a nível local e nacional”.

Outra obra emblemática para a vila foi a construção da biblioteca municipal, cuja inauguração decorreu em 1996.

“Foi fruto do esforço da Câmara Municipal, do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas e da Fundação Calouste Gulbenkian, que doou o seu fundo documental e tornou possível criar um espaço diversificado para todos os tipos de público, assim como para toda a população do concelho”, conclui.

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