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Centro interpretativo promove tradições taurinas de Monforte

A tauromaquia é a principal expressão cultural de Monforte, no Alto Alentejo, o “maior concelho do país” em densidade de coudelarias, ganadarias e toureiros, o que justificou a criação de um centro interpretativo do setor.

“Hoje em dia, é impossível falar de Monforte sem falar de tauromaquia”, diz à agência Lusa o presidente do município, Gonçalo Lagem, destacando a importância económica, cultural e social da “festa brava” no concelho.

Para promover as “fortes tradições taurinas” de Monforte, no distrito de Portalegre, sobretudo nas últimas três décadas, a autarquia abriu, em 2015, o Centro Interpretativo Tauromáquico, dedicado às touradas e aos artistas naturais ou residentes no concelho, que tem em João Moura um dos seus “embaixadores”.19

O cavaleiro não esconde o orgulho que sente em ter contribuído para que Monforte se transformasse numa vila com “fortes ligações à tauromaquia”, reconhecendo que o seu percurso foi um “fator determinante” para que a história do concelho fosse alterada.

“A minha carreira foi recheada de êxitos, com várias portas grandes em Madrid, e, para mim, é um orgulho ter levado o nome da minha terra e do Alentejo a todos os cantos do mundo, contribuindo também, desta forma, para o seu desenvolvimento”, diz à agência Lusa.

Para o autarca, que salienta o contributo da tauromaquia para a projeção internacional da terra, “João Moura foi um fenómeno, revolucionou o toureio a cavalo e Monforte foi motivo de interesse e de notoriedade por isso mesmo”.

“Nos últimos 30 anos, o cavaleiro alterou a história do concelho e, atualmente, há muitas pessoas que aqui vivem diretamente da ‘festa brava’”, considera.

Segundo Gonçalo Lagem, o concelho de Monforte, que declarou, em 2012, a tauromaquia como Património Cultural e Imaterial de Interesse Municipal, “é, no país e talvez no mundo, o maior em termos de densidade de coudelarias, ganadarias e toureiros”.

Os cavaleiros João Moura, Paulo Caetano, João Moura Caetano, João Moura Júnior e Miguel Moura, os novilheiros João Augusto Moura e João Silva “El Juanito”, o bandarilheiro José Franco “Grenho”, a ganadaria de Maria Guiomar Moura e a coudelaria Romão Tavares são alguns dos “nomes que têm dado notoriedade” à vila alentejana.

Monforte é também berço de forcados, tendo sido constituído um grupo de amadores no ano 2000, campinos, moços de espadas (ajudantes de toureiro), equitadores e cavaleiros de outras modalidades, como a dressage.

Gonçalo Lagem sublinha, a propósito, que a ganadaria de Maria Guiomar Moura, “uma das mais prestigiadas” no país, “é a única” portuguesa que vai marcar presença, este ano, na feira taurina mais importante do mundo, a Feria de San Isidro, em Madrid (Espanha).

“Nós assistimos diariamente aos programas sobre touradas na televisão espanhola e, constantemente, o nome desta vila é mencionado”, observa.

“Bastante satisfeito” pelo que tem feito em nome da arte e do seu concelho, em particular, João Moura enaltece também o trabalho realizado pela Câmara Municipal, sobretudo ao avançar com a construção do centro interpretativo ligado à tauromaquia.

“É sinal que há afición, que a tauromaquia está viva em Monforte e que há uma história para contar e que nos orgulha a todos”, diz.

Para perpetuar essa história, o município criou o Centro Interpretativo Tauromáquico de Monforte, na sequência da adaptação do edifício de uma antiga escola da vila.

O espaço evoca os “melhores momentos” das carreiras dos artistas da terra, através de vídeos e fotografias, além de apresentar peças ligadas à festa e pertencentes ao espólio de diversos toureiros.

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