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César de Oliveira, o historiador que revolucionou Oliveira do Hospital

O historiador César de Oliveira, primeiro presidente socialista da Câmara de Oliveira do Hospital, é recordado pelos amigos pela “lufada de ar fresco” que levou ao concelho beirão no auge do cavaquismo.

Professor universitário e investigador da história contemporânea portuguesa, António César Gouveia de Oliveira liderou o executivo entre 1990 e 1994, após uma vitória considerada surpreendente nas autárquicas de dezembro de 1989.

Oriundo da freguesia de Ervedal da Beira, onde também nasceu José Carlos Alexandrino, atual presidente do município e segundo eleito pelo PS, saiu da aldeia de Fiais quando foi estudar para Coimbra, primeiro no antigo Liceu D. João III e depois na Faculdade de Direito.

Radicou-se mais tarde em Lisboa e regressou à terra natal com quase 50 anos, para se candidatar à presidência da Câmara, que os socialistas conquistaram depois mais duas vezes, em 2009 e 2013, elegendo o independente José Carlos Alexandrino.

“César de Oliveira veio de Lisboa numa missão muito difícil, para servir o PS. Trouxe uma nova visão e uma nova perspetiva de desenvolvimento”, afirma à agência Lusa o atual presidente da autarquia.

José Carlos Alexandrino realça que a “vitória brilhante” do historiador, há 27 anos, constituiu uma “grande surpresa” num concelho “então muito fechado sobre si mesmo”.

Na capital, um dos fundadores do PS, António Campos, mantinha uma relação muito próxima com o conterrâneo César de Oliveira, que fora deputado pela União da Esquerda para a Democracia Socialista quando este partido de duração efémera integrou a Frente Republicana e Socialista criada por Mário Soares.

“Comecei a desafiá-lo para ser candidato à Assembleia Municipal. Ele lá acabou por aceitar, estranhamente entusiasmado mas para concorrer à Câmara”, recorda António Campos, salientando que o amigo, falecido em 1998, com 57 anos, “fez uma obra ótima” quando esteve em Oliveira do Hospital.

A educação “foi a grande prioridade” do seu mandato, mas César de Oliveira, que “tomava decisões com grande emotividade”, também “marcou o concelho do ponto de vista cultural”, acrescenta o antigo deputado e eurodeputado.

O historiador “nunca pensou vencer as eleições” em Oliveira do Hospital. Contudo, depois “percebeu que esse cenário poderia ser muito provável”, confirma Henrique Barreto, que na altura tinha 21 anos e era diretor do jornal “Correio da Beira Serra”.

“Homem muito estudioso, com grande inteligência e perspicácia política, fez um diagnóstico muito rápido do concelho e, em apenas quatro anos, transformou Oliveira do Hospital num dos municípios mais desenvolvidos do distrito de Coimbra e da região”, adianta.

Henrique Barreto, atual diretor de comunicação da Câmara Municipal, revela que o executivo de César de Oliveira “investiu prioritariamente” nas áreas da educação, saúde, habitação social, acessibilidades e cultura.

“Por iniciativa de um vereador do PSD”, a Casa da Cultura, construída quando presidia à Câmara, recebeu o seu nome, refere, considerando que o antigo presidente “trouxe uma lufada de ar fresco” àquele concelho serrano.

O autarca José Carlos Alexandrino sublinha que César “foi pioneiro na agregação de escolas”, tendo impulsionado a criação dos agrupamentos de Cordinha e Lagares da Beira, com ensino integrado até ao nono ano.

Mas “nem sempre foi um homem bem-amado e sem problemas” no concelho, onde “havia uma mentalidade muito difícil” e conservadora.

“César de Oliveira é considerado o melhor presidente da Câmara de Oliveira do Hospital de todos os tempos”, enfatiza José Carlos Alexandrino. Faria este ano 75 anos, a 26 de março.

Além da sua “enorme capacidade de trabalho”, era também “um grande cozinheiro” e pensava abrir um restaurante na vila algarvia da Fuzeta, concelho de Olhão, conta Henrique Barreto.

“Vai chamar-se ‘O Pedagógico’. Um tipo que apareça lá para comer sardinhas e peça ‘Coca-Cola’ é imediatamente posto na rua”, dizia aos amigos.

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