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Condeixa-a-Nova quer Conímbriga como Património Mundial da UNESCO

As ruínas romanas de Conímbriga, abertas ao público desde 1930, aguardam novos investimentos que aumentem a área visitável e contribuam para a candidatura a Património Mundial da UNESCO, promovida por um movimento criado em finais de 2013.

Classificada como monumento nacional, é uma das maiores povoações romanas de que há vestígios em Portugal, é a mais estudada no país e está a 16 quilómetros de Coimbra, capital de distrito, embora apenas um sexto da sua dimensão esteja a descoberto.

“Queremos alargar a área visitável das ruínas, valorizá-las e remodelar também o Museu Monográfico”, sublinha à agência Lusa o presidente da Câmara de Condeixa-a-Nova, Nuno Moita, que já lamentou o facto de o maior achado da romanização em Portugal não ter, desde há 20 anos, nenhum investimento governamental para alargamento da área arqueológica.

Para dar força à candidatura a Património Mundial da UNESCO, que está em marcha desde finais de 2013, o município de Condeixa-a-Nova pretende que o Governo execute um conjunto de obras, no valor de três milhões de euros, que já estão acordadas entre as duas partes.

“Existe um protocolo com a Secretaria de Estado da Cultura, que mapeou os investimentos no Portugal 2020, depois de o Estado ter assumido que queria investir em Conímbriga”, diz Nuno Moita.

Os investimentos previstos visam alargar a área visitável ao público, nomeadamente ‘destapar’ o anfiteatro, construído com capacidade para 4.500 a 5.000 espetadores, e que é “um caso único no país em termos de estado de conservação”, apesar de estar debaixo de alguns imóveis, entretanto já negociados. Remodelar o Museu Monográfico é outra das intenções.

Existe financiamento aprovado de 2,5 milhões de euros de fundos comunitários, mas é necessária a componente nacional, que representa uma comparticipação de 600 mil euros, além das expropriações de terrenos e projeto de ampliação da área de visita.

“O município está a ajudar no esforço da componente nacional, com uma verba de mais de 100 mil euros para expropriações, e assumimos o pagamento de parte do projeto”, diz Nuno Moita, salientando que é preciso fazer o caderno de encargos para lançar o projeto a concurso.

Apesar dos mais de três milhões de visitantes nos últimos 30 anos – quase 90 mil em 2015 -, o Governo ainda não assumiu a candidatura daquele sítio arqueológico a Património Mundial da UNESCO, de acordo com o autarca.

O processo é coordenado pela Câmara, Assembleia Municipal e Associação Defesa do Património Cultural Ecomuseu de Condeixa, que tem trabalhado no levantamento do historial e influência romana na zona.

Em dezembro de 2015, mais de 500 pessoas de todo o mundo, incluindo os arquitetos portugueses Siza Vieira e Souto Moura, subscreveram o abaixo-assinado de apoio à candidatura da cidade romana de Conímbriga, que é considerada pelo município como um vetor estratégico da maior importância.

Nuno Moita considera que a candidatura será “uma mais-valia para o concelho, para a região e para o país”, e salienta que o município está a trabalhar para concretizar essa possibilidade, através de um conjunto de intervenções para valorização da envolvente das ruínas romanas.

O sítio arqueológico de Conímbriga foi nas últimas décadas a grande alavanca de desenvolvimento do concelho de Condeixa-a-Nova, contribuindo para o surgimento de vários projetos, entre eles o Centro de Interpretação Multimédia Portugal Romano e Sicó (POROS).

O equipamento, que representa um investimento de 4,5 milhões de euros, abre na terceira semana de maio, com o objetivo de ser uma valência complementar às ruínas romanas, que recebe anualmente quase 90 mil visitantes.

Através de salas multimédia “a três e quatro dimensões”, segundo o presidente da Câmara, os visitantes vão poder percecionar o modo de vida dos romanos, desde a religiosidade até à intimidade, e experimentar vestir uma armadura ou manejar uma espada.

Além deste centro interpretativo, a Câmara Municipal tem projetado requalificar a antiga estrada que liga a Conímbriga, num quilómetro de extensão, transformando-a numa ecovia, dotada de pequenos quiosques, com acesso direto ao POROS.

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