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Constância, a ‘Vila Poema’ que tem Camões como referência

Situada na confluência dos rios Tejo e Zêzere, Constância é uma vila de encontros, dos rios e dos homens, onde a memória coletiva afirma que Luís de Camões ali viveu, tendo a dinâmica associada ao maior poeta português ganho especial relevo desde 1991.

“Há 30 anos, ainda não existiam as Festas do Concelho e a bicentenária Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem estava em acentuada decadência e em risco de desaparecer. Não tinham ainda sido criadas as Pomonas Camonianas e toda a dinâmica escolar, comunitária, cultural e turística que elas depois geraram, associada a Camões”, lembra a presidente da Câmara Municipal de Constância, concelho do distrito de Santarém com pouco mais de quatro mil habitantes.

Segundo Júlia Amorim, “o projeto ‘Constância, Vila Poema’, lançado em 1991, seria da maior importância para a revitalização e valorização da Festa e para a promoção do turismo na vila e no concelho”.

Júlia Amorim, 53 anos, 27 dos quais como autarca, militante do PCP, destaca a “presença constante” de Camões em Constância, tendo referido a criação da Casa-Memória dedicada ao poeta e à sua obra, cuja edificação foi iniciada em 1980 sobre as ruínas da casa onde terá residido Luís Vaz de Camões, o Jardim-Horto, que reúne toda a flora referida na sua obra, num total de 52 espécies, identificadas através de placas que transcrevem os versos do poeta, equipamentos que “atraem milhares de visitantes” ao município.

“Já desde 1880, quando se assinalaram os 300 anos da morte de Camões, Constância vestiu-se de gala para a ele se associar”, diz a autarca, ao mesmo tempo que sublinha a evolução do concelho em termos de oferta turística, que “foi enorme desde 1990”.

De acordo com Júlia Amorim, “há 30 anos, o turismo em Constância era muito incipiente: havia algumas pessoas que visitavam a vila, atraídas pela beleza do casario, pela frescura das águas do Zêzere e por Camões, que já tinha aqui o seu monumento e o Jardim-Horto, mas não existiam infraestruturas essenciais, como unidades de alojamento e de restauração, não havia Posto de Turismo, não havia sequer produtos e informação turística sistematizados e atrativos”.

A autarquia, liderada pela CDU desde 1986, encetou este ano um trabalho conjunto com a direção da Associação Casa-Memória de Camões para dar “um novo impulso ao lado camoniano de Constância”, tendo o seu presidente, António Matias Coelho, anunciado no dia 10 de junho deste ano a “firme determinação de lutar, com o apoio das forças e dos recursos do concelho, para se conseguir que Constância tenha, a prazo razoável, não apenas um Jardim-Horto Camoniano renovado, mas a Casa-Memória de Camões finalmente aberta ao público, em condições de dignidade e que não defraudem as expectativas dos visitantes”.

“Portugal não tem uma Casa-Memória de Camões, como por exemplo, uma pequena cidade do interior de Inglaterra tem a de Shakespeare, com excelentes resultados culturais, económicos e turísticos e mais de um milhão visitantes por ano. E pode tê-la. Em Constância”, afirmou.

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