Fechar
Abrir

Douro Património Mundial levou mais turistas e investimento para Alijó

A classificação do Douro como Património Mundial da UNESCO desencadeou um ciclo positivo em Alijó, onde chegam cada vez mais turistas e, nos últimos 15 anos, tem havido mais investimento em alojamentos e centros de vinificação.

O Alto Douro Vinhateiro (ADV) foi classificado pela UNESCO como Paisagem Cultural Evolutiva e Viva em 2001.

Alijó, um dos concelhos com mais área inserida no Património Mundial, tem sido, ao longo destes 15 anos, palco para investimentos, quer na área do enoturismo e hotelaria, quer em vinhas ou centros de vinificação.

A classificação desencadeou, na opinião de Adrian Bridge, diretor geral do grupo The Fladgate Partnership, um “ciclo positivo” para a região.

Para este responsável, o “selo UNESCO” deu mais notoriedade ao vale do Douro, trouxe mais turistas e incentivou novos negócios ligados ao turismo.

Como exemplo disso, o grupo abriu, no verão de 2015, um centro de visitas na Quinta da Roêda, no Pinhão, vila onde também adquiriu um dos primeiros hotéis de luxo do Douro, o Vintage House (1998).

Mas, nesta área junto ao hotel e ao rio Douro, a empresa prevê investir nove milhões de euros, nos próximos cinco anos, na construção de um museu, um restaurante, um jardim privado e um parque de estacionamento.

Adrian Bridge afirma à agência Lusa que a aposta é no “turismo de qualidade”, que dá emprego e ajuda a fixar pessoas no território.

António Martinho foi Governador Civil de Vila Real, presidente da Entidade Regional Turismo do Douro e é agora empresário, depois de abrir uma unidade de agroturismo em Santa Eugénia, na zona norte do concelho de Alijó.

“A marca UNESCO deu notoriedade mundial ao Douro, um território que é um bom sítio para se investir”, considera.

O responsável fala num “boom” no setor do enoturismo após a classificação, com várias unidades de alojamento e centros de visitas a serem criados pelo território duriense.

Por aqui cresceu também a oferta a nível do turismo fluvial, desde os barcos hotéis às pequenas embarcações para passeios mais intimistas, mas António Martinho defende que é ainda preciso diversificar a oferta para que os turistas permaneçam mais tempo e se combata a sazonalidade deste território.

É necessário expandir o investimento para além das margens do rio, para que não se sobrecarregue esta zona, onde o Pinhão assume protagonismo, considera.

Esta vila foi dos poucos aglomerados urbanos incluídos na área classificada do ADV. No entanto, a candidatura à UNESCO previa obras de requalificações para mitigar intrusões urbanísticas, como, por exemplo, a escola EB 2,3 do Pinhão.

Pedro Perry, presidente da Junta desta freguesia entre 2001 e 2013, diz que, neste período, “praticamente não foi feito nada” no sentido de resolver as dissonâncias e lembra que chegou a ser desenhado um plano de pormenor para o Pinhão, mas que nunca chegou a avançar.

O ex-autarca lamenta que o investimento público não tenha acompanhado o privado neste concelho e refere que a principal rua da vila “está caótica”, considerando que era uma obra que precisava mesmo de avançar, tal como as acessibilidades ao cais fluvial, uma importante porta de entrada no Douro vinhateiro.

A região reivindica ainda melhorias na linha ferroviária do Douro, bem como na Estrada Nacional 222, mas em termos de infraestruturas o principal investimento concretizado no concelho de Alijó foi a variante e o Itinerário Complementar 5 (IC5).

Nestes 15 anos, o turismo cresceu e ajudou a diversificar a economia num território onde a principal atividade ainda é a produção de vinho.

Jorge Dias, diretor geral da Gran Cruz Porto, não vê, para já, uma relação direta entre o ADV e a comercialização de vinhos, mas entende que o resultado direto da classificação se sentiu sobretudo no “cuidado com a salvaguarda e preservação da paisagem”, que está a ajudar a valorizar os produtos.

“Nesse aspeto, foram dados passos notáveis”, salienta o responsável pela empresa que investiu 16 milhões de euros na construção de um centro de vinificação e um centro logístico de armazenamento, em Alijó.

Também Adrian Bridge refere que a sua empresa desenvolveu um novo modelo de vinha assente na construção de patamares estreitos, com talude em terra e uma só linha de plantação de videiras, e que anula a utilização de herbicidas.

É um modelo, segundo o responsável, mais amigo do ambiente, que ajuda a diminuir custos e, ao mesmo tempo, melhora a qualidade das uvas e dos vinhos.

“O Douro é a nossa casa e nós somos também responsáveis pela preservação deste bem”, sustenta o diretor geral do grupo The Fladgate Partnership.

O território do ADV tem uma extensão de 24 mil hectares, inseridos na primeira região demarcada e regulamentada do mundo.

Voltar atrás