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Eclusas, viadutos e Universidade mudaram Aveiro em 30 anos

Os canais da Ria, na cidade de Aveiro, são percorridos diariamente por barcos moliceiros, cujos passeios turísticos rendem à Câmara 1,2 milhões de euros de concessão.

Há 30 anos recebiam os esgotos da cidade (que passaram a ser tratados e desviados) e na maré vazia deixavam à vista lamas putrefactas que afastavam os visitantes.

São as eclusas que hoje garantem uma toalha de água permanente, um projeto “desenterrado” por Girão Pereira (CDS), o primeiro presidente da Câmara eleito depois do 25 de abril.

“Era um projeto com 50 anos, para resolver o problema das cheias porque, com as marés vivas, o bairro da Beira Mar ficava alagado, mas foi um grande e polémico desafio: O PSD fez guerra às eclusas, com o argumento de que ia prejudicar os produtores de sal e pescadores”, recorda Vítor Silva, então vereador e considerado “braço direito” de Girão Pereira que, apesar da contestação, decidiu avançar em 1985, ano de eleições autárquicas.

Um ano depois, Aveiro tinha eclusas, mas a obra não corria bem: “Aveiro está assente sobre lodos e as fundações foram feitas a cinco ou seis metros de profundidade, por erro de projeto, pelo que a água começou a escavar por baixo, e teve de se fazer uma parede com hastes metálicas de 20 metros, para resolver o problema”, explica Vítor Silva.

Garantida a toalha de água constante nos canais, foi depois preciso desviar e tratar os esgotos, o que demorou anos.

“Avançámos com o saneamento da beira-mar, mas como era preciso pagar os ramais de ligação ninguém ligava”, relata Vítor Silva.

Uma “avaria” nas eclusas provocou o refluxo do esgoto para as próprias casas, na zona baixa, o que convenceu os habitantes a fazerem as ligações ao saneamento, mas muitos não as podiam pagar, conforme reconhece o então vereador.

“Vieram os primeiros fundos comunitários para financiar o saneamento básico e acabou por se ir fechando os olhos e não se chegou a cobrar os ramais a quem não podia pagá-los”, explica.

Foram também os dinheiros da então Comunidade Económica Europeia que permitiram à cidade crescer para sul e nascente, além de mudar a imagem. A barreira física da Linha do Norte foi contornada por viadutos e passagens desniveladas, dando lugar a novas urbanizações em Esgueira, na Forca-Vouga, S. Bernardo e Aradas.

A poente, crescia a Universidade de Aveiro (UA) e assistia-se ao desenvolvimento do próprio Campus de Santiago, que por aqueles anos viu nascer o Pavilhão III, o Centro Integrado de Formação de Professores e os novos edifícios para o Departamento de Eletrónica e Telecomunicações e para os Serviços de Ação Social.

A Universidade crescia, mas não apenas fisicamente: “duplicou o número de cursos e mais do que quadruplicou o número de estudantes que, no final da década, ultrapassavam os 3.000”, recorda o atual reitor, Manuel Assunção.

O crescimento da UA acentuou-se em todas as dimensões na década seguinte e é hoje uma universidade internacional, baseada na investigação, que congrega mais de 15.000 pessoas de quase 80 nacionalidades, com mais de mil estágios por ano, com um forte empenho na cooperação no espaço lusófono e que figura no ranking das Universidades com menos de 50 anos, elaborado pelo “Times Higher Education”.

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