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Elevação a cidade aumentou a autoestima dos habitantes de Mêda

A elevação da vila de Mêda à categoria de cidade, em 2005, contribuiu, essencialmente, para aumentar a autoestima dos habitantes, pois os autarcas reconhecem que a mudança “pouco valeu” e as expectativas criadas ainda não se concretizaram.

Os habitantes de Mêda não têm dúvidas em como a subida à categoria de cidade, através da Lei n.º 6/2005, deu um novo estatuto à terra e aumentou a autoestima.

“Sem dúvida que a Mêda ganhou. Foi o reconhecimento de um longo trabalho realizado para elevar Mêda a cidade. Ganhou ao nível de estatuto. Em termos práticos também, uma vez que os apoios financeiros passaram a ser diferentes”, diz à agência Lusa Marta Lemos, de 35 anos, moradora na localidade.

Outro habitante, Filipe Rebelo, de 30 anos, também concorda que a terra “ganhou” com a passagem de vila a cidade”. “Até para o nosso ego e para a nossa autoestima é benéfico”, assinala.

No entanto, o mesmo habitante refere que o novo estatuto “ainda não foi devidamente aproveitado, porque a Mêda, como outros concelhos do distrito [da Guarda], está a perder população”.

“A elevação a cidade podia ter sido o alavancar do combate ao despovoamento, que não tem sido feito da melhor maneira”, lamenta.

Já para António Antunes, de 59 anos, também ele morador em Mêda, “qualquer subida é sempre boa, só que devia haver outro desenvolvimento”.

“Gosto de cá viver e, sendo cidade, a expectativa era que se desenvolvesse mais um pouco e que chamasse mais gente. A Mêda não tem falta de nada: tem piscina, polidesportivo, casa da cultura, minigolfe e tudo o que é necessário para o turismo, mas falta gente para fazer mexer a cidade”, considera.

O atual presidente da Câmara Municipal de Mêda, Anselmo Sousa (PS), por seu turno, reconhece “poucas vantagens” por Mêda “ter passado a cidade, porque os Governos pouca sensibilidade tiveram ao encerrar serviços, como foi o caso do Tribunal [reaberto no início deste ano]”.

“Pelo menos, que os nossos governantes vissem isso com outros olhos, numa perspetiva de desenvolvimento. Mas, as perspetivas saíram frustradas”, observa.

Em sua opinião, a passagem a cidade “de pouco valeu”, assumindo até que “mais valeria não ter subido a essa categoria”.

Paulo Amaral, que em 2005 era vereador do PSD na autarquia de Mêda, cargo que também desempenha atualmente, diz à Lusa que “a elevação de Mêda a cidade representou para os seus habitantes, e principalmente para os autarcas, o reconhecimento do seu trabalho e do seu empenho na aplicação de medidas para o desenvolvimento do concelho, através da execução de diversas e múltiplas obras, nomeadamente de infraestruturas e equipamentos públicos”.

O autarca lembra que na base da proposta “foram utilizados como argumentos fundamentais as suas raízes históricas e a sua localização, que lhe conferem potencialidades turísticas importantes, além da capacidade de desenvolvimento da agricultura, nomeadamente a produção vinícola”.

Paulo Amaral recorda que a notícia da elevação a cidade foi recebida “com muita satisfação e regozijo”.

No entanto, assume que, numa “análise rápida e superficial, não são percetíveis mudanças que possam ser diretamente relacionadas com a elevação de vila a cidade”.

“Eu diria que as expectativas criadas ainda não se concretizaram. As condições socioeconómicas vigentes no país nos últimos anos não foram as mais favoráveis para fomentar o desenvolvimento dos municípios do interior”, reconhece o vereador.

Apesar da situação, Paulo Amaral acredita que Mêda “é uma cidade de futuro”.

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