Fechar
Abrir

Encerramento do Tribunal foi “episódio negro” para Fornos de Algodres

O encerramento do Tribunal de Fornos de Algodres, em 2014, e considerado localmente um “episódio negro” para o concelho, ao afastar os habitantes da Justiça, pois passaram a ser servidos pelo Tribunal de Gouveia, a 20 quilómetros de distância.

Isso mesmo é sublinhado pelo presidente da Câmara Municipal, Manuel Fonseca (PS): “O fecho do Tribunal foi um episódio negro para o concelho de Fornos de Algodres”.

Segundo o autarca, a medida tomada pelo primeiro Governo de Pedro Passos Coelho “marcou a vida das pessoas” do seu concelho, que deixaram de ter acesso à Justiça na sede do município.

“As pessoas que sempre tiveram acesso à Justiça têm agora que se deslocar a um concelho limítrofe, que é Gouveia, a mais de 20 quilómetros de distância. Em termos civilizacionais, foi um retrocesso muito grande para o concelho, não só para o simbolismo que representa um serviço público, que em termos de Constituição da República Portuguesa é um direito de todas as populações, mas também pelos constrangimentos que criou às populações”, diz Manuel Fonseca.

O autarca admite que, após o fecho do Tribunal naquela vila do distrito da Guarda, “haverá pessoas que antes de recorrerem à Justiça pensam primeiro nos custos”.

Lembra que a Justiça passou a estar acessível no vizinho concelho de Gouveia, a 20 quilómetros de distância, mas “de Fornos de Algodres para Gouveia não há qualquer tipo de transporte público”.

“As pessoas vão de carro de praça ou em carros próprios. As pessoas desistem de recorrer à Justiça. Tenho conhecimento de casos de pessoas que dizem que não vale a pena meter processos em tribunal porque, com os custos que têm, mais vale ficarem quietos e calados”, lamenta.

O autarca socialista sempre lutou pela reabertura do Palácio da Justiça, pelo que ficou satisfeito por o atual Governo ter anunciado a sua reabertura, reparando assim a “enorme injustiça que fizeram à população do concelho”.

Após o anúncio do fecho do Tribunal, no início de 2014, autarcas e habitantes saíram à rua em defesa da continuidade do serviço, pois vaticinaram grandes consequências para o município.

O empresário Paulo Menano, que possui um restaurante na vila, disse na ocasião à Lusa que, com o encerramento do tribunal, iria deixar de fornecer diariamente refeições a magistrados e a funcionários, o que representava uma quebra no negócio.

As previsões confirmaram-se e diz que já perdeu “para cima de 20 mil euros”.

Paulo Menano adianta que, com o fecho do Tribunal, muita gente “deixou de vir a Fornos de Algodres diariamente, porque eram os funcionários judiciais, os advogados, os juízes, as próprias testemunhas, quando havia julgamentos. Essa componente financeira que existia no concelho acabou”.

Já Porfírio Paraíso, habitante local, considera que o encerramento do Tribunal “foi uma machadada muito grande” para a terra.

“É diferente termos um Tribunal em Fornos de Algodres ou em Gouveia. É uma Justiça que não é igual. Enquanto os habitantes de Gouveia têm uma Justiça mais barata, para nós é mais cara. Indo para Gouveia, as pessoas que não têm carro próprio, têm de alugar táxis ou pedir boleia. Já me aconteceu levar uma pessoa a Gouveia por não ter transporte”, assegura.

A reabertura do Tribunal, a confirmar-se, é uma boa notícia para Porfírio Paraíso, porque “será feita justiça para com os habitantes de Fornos de Algodres”.

Voltar atrás