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Escola Profissional deu vida a Pedrógão Grande, que procura fixar jovens

A Escola Tecnológica e Profissional da Zona do Pinhal, que foi uma das primeiras do país, deu vida e dinâmica à pequena vila de Pedrógão Grande, mas o concelho não consegue fixar os jovens que por ali passam.

Criada em 1989, a Escola Tecnológica e Profissional da Zona do Pinhal (ETPZP) tem atualmente 270 alunos, cerca de 70% de fora de Pedrógão Grande, levou “outro movimento” àquela vila com menos de 2.000 habitantes, diz à agência Lusa o presidente da Câmara, Valdemar Alves.

“Ter jovens a circular é muito importante para que a vila não seja só composta de reformados”, sublinha. No entanto, se alguns até ficam neste concelho do norte do distrito de Leiria, não se fixa o número que o município gostaria, nota.

Segundo Valdemar Alves, é pena que os jovens fiquem apenas “dois ou três anitos” e que, depois, acabem por se espalhar “por todo o país”, por não haver “desenvolvimento económico e comercial na região”.

Apesar da dificuldade em fixar os mais novos, a presença da escola levou também à criação de postos de trabalho (são cerca de 40 pessoas a trabalhar na ETPZP), criou mão-de-obra qualificada para as empresas da região e “até modificou a maneira de ser das pessoas da terra”, constata.

“Algum do comércio local vive daquilo que a escola profissional movimenta”, frisa o diretor geral do estabelecimento de ensino, João Marques.

Para o antigo presidente da autarquia [entre 1997 e 2013], a ETPZP deu oportunidades a jovens de Pedrógão Grande e de concelhos vizinhos, como Figueiró dos Vinhos, Sertã, Pampilhosa da Serra, Ansião ou Castanheira de Pera, influenciando também “o tecido empresarial local”.

Há ex-alunos que hoje “são técnicos em empresas da região e muitos criaram as suas próprias empresas”, sendo que a oferta de mão-de-obra qualificada também tem permitido “que algumas empresas olhem para a região com outros olhos”.

“Tem sido também uma alavanca para tornar as empresas mais competitivas, visto que ter recursos humanos especializados é fundamental para se triunfar no mercado”, realça João Marques.

A escola, que renova no fim de cada ciclo os cursos que tem, para não saturar o mercado de trabalho, tem como desafios “manter uma oferta de formação de acordo com as necessidades do mercado regional”, aponta.

De acordo com o antigo autarca, os últimos 30 anos de Pedrógão Grande são marcados, também, pelos investimentos em infraestruturas básicas e em equipamentos sociais, desportivos e culturais.

Porém, face à quebra demográfica, o grande desafio é captar empresas e fixar população jovem para que todos os investimentos públicos realizados ao longo de três décadas “não se tornem inúteis”.

Valdemar Alves confirma a necessidade de se captarem empresas para um território que foi perdendo a sua população, não esquecendo também o papel da Santa Casa da Misericórdia na área social, onde emprega “muita gente” e onde muitos utentes são pedroguenses que deixaram a sua terra “e que regressam para acabar os seus dias”.

“A escola na área da juventude e a Santa Casa na área social são muito importantes. Numa terra pequena tudo dá jeito”, sublinha.

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