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Expansão da Universidade abriu novo ciclo e atraiu novos habitantes ao Algarve

A expansão da Universidade do Algarve (UAlg), que começou com 93 alunos e hoje tem 9.000, abriu um novo ciclo na capital algarvia e na região, atraindo novos habitantes, gerando negócios e promovendo hábitos culturais.

Adelino Canário foi um dos professores que “inauguraram” a UAlg, em 1983, quando arrancaram os primeiros três cursos, mas é a partir do final dessa década que a universidade ganha dimensão, com o início da construção do “campus” de Gambelas.

“A universidade teve um grande impacto no desenvolvimento do Algarve. Nem quero imaginar o que seria hoje se não fosse a universidade”, diz à Lusa o professor, lembrando que antes da criação da universidade, o Montenegro, freguesia onde se situa aquele “campus”, era um “descampado”.

Tal como aquela zona, cujo crescimento se deve muito à instalação da universidade, também a Penha, dentro da cidade, onde se situa o “campus” mais antigo, se tornou hoje num bairro universitário, onde os negócios de arrendamento, restauração e comércio giram à volta da vida estudantil.

Nos primeiros anos da universidade boa parte dos professores provinham de outras zonas do país, caso do atual reitor, António Branco, natural de Angola, e que há 25 anos se mudou de Lisboa para o Algarve para dar aulas na área dos Estudos Literários.

“A existência de uma instituição de ensino superior público veio criar um potencial de desenvolvimento enorme no Algarve, que foi uma das regiões que mais cresceu demograficamente no país”, resume à Lusa o reitor da academia algarvia desde 2013.

Além dos docentes que se fixaram no Algarve, também muitos dos estudantes que escolheram a UAlg para estudar provinham de outras zonas do país, acabando por fixar-se na região, constituindo família e, em alguns casos, criando empresas.

“Em quase todo o lado onde há atividade social, económica e cultural, está lá pelo menos um ex-aluno”, observa António Branco, sublinhando que a universidade contribuiu para a construção de massa crítica em toda a região, embora Faro seja o concelho que mais beneficiou diretamente, por ser a sede da academia.

Outra dimensão que a universidade assume é a da projeção do nome do Algarve além-fronteiras, através dos estudantes internacionais, que têm aumentado de ano para ano e que atualmente são entre 600 a 800, de 79 nacionalidades.

“A internacionalização contribuiu para reforçar a marca Algarve como marca do turismo”, sublinha António Branco, notando que, apesar de os estudantes não serem turistas, acabam por conhecer a região, divulgando-a nos seus países de origem.

O empresário André Jordan, fundador da Quinta do Lago e que recebeu, em 2011, o grau de doutor “honoris causa” pela Universidade do Algarve, recorda à Lusa o “impacto transformador” que a universidade teve na região, não só no aspeto académico, como cultural.

“A criação da universidade elevou a cultura e até o nível das conversas”, nota o empresário, de origem polaca, frisando que a “pobreza cultural” dominava a região, lacuna que a instituição veio preencher, tornando o Algarve “mais cosmopolita”.

Quando fundou a Quinta do Lago, em 1971, praticamente não existiam no Algarve profissionais portugueses em nenhum setor ligado à atividade das suas empresas: nem arquitetos, nem urbanistas, nem com experiência em golfe.

“No período da Quinta do Lago e depois, em Vilamoura, ainda havia pouca gente oriunda da Universidade do Algarve, mas foram entrando, naturalmente, no mercado de trabalho”, conclui o empresário, cuja ligação ao Algarve tem mais de 50 anos.

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