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Exploração mineira cria emprego e atenua perda de população em Castro Verde

A extração e produção de milhares de toneladas de minério para exportação, desde 1988, na mina de Neves-Corvo, uma das maiores da Europa, permitiu criar emprego sustentável e atenuar a perda população em Castro Verde.

O concelho de Castro Verde, no distrito de Beja, no Alentejo, tem a economia “pautada pela atividade extrativa na mina, que é de máxima importância e fundamental”, diz à agência Lusa o presidente do município, Francisco Duarte.

“Uma parte muito significativa da população ativa do concelho trabalha na mina” e a exploração mineira permitiu a Castro Verde ganhar “uma notável sustentabilidade em termos de emprego”, frisa.

Segundo dados disponibilizados à Lusa pela empresa concessionária da mina de Neves-Corvo, a Somincor, em dezembro de 2015 trabalhavam no complexo mineiro de Neves-Corvo 2.083 pessoas, sendo 1.040 através da Somincor e 1.043 através de subempreiteiros.

Em 2015, a mina produziu, em forma de concentrado e para exportação, 55.831 toneladas de cobre, 61.921 toneladas de zinco, 2.700 toneladas de chumbo e 454 mil onças de prata, indica a Somincor.

Como o setor mineiro “não foi afetado pela crise que estamos a atravessar, o desemprego não é uma preocupação muito significativa do concelho, apesar de haver desemprego, sobretudo feminino, ainda significativo”, diz o autarca.

Por outro lado, a massa salarial da atividade mineira, que é “um pouco mais alta” em relação a outras atividades, permitiu ao concelho “atingir níveis no ranking do poder de compra relativamente elevados no panorama nacional”, indica.

A exploração mineira também permitiu “atenuar a perda de população”, diz, referindo que o concelho tem registado “um ligeiro decréscimo” do número de habitantes, mas “muito inferior à média” do Baixo Alentejo e, por isso, “está um bocadinho fora da forte tendência regressiva da população” na região.

Para “compensar a perda ligeira” de habitantes, a população ativa do concelho, supostamente devido à migração de pessoas para trabalharem nas minas, subiu entre 1981 e 2001 e “desceu ligeiramente” em 2011, diz.

A atividade da mina também tem tido um “impacto muito significativo” nas finanças da Câmara de Castro Verde, que, desde 2003, já recebeu 25 milhões de euros através da aplicação da taxa de derrama às empresas que operam na estrutura, sobretudo a Somincor, e que é “uma importante fonte de receita do município”, refere.

Segundo o autarca, 80% da verba foram investidos em obras, nomeadamente na construção de equipamentos, e os restantes 20% foram aplicados na atividade do município no serviço à população.

Graças à exploração da mina, “tem havido pleno emprego, com um nível de massa salarial relativamente alto e que nos tem permitido subsistir, mas não houve uma diversificação da base económica, o que é fundamental haver para o concelho não ser afetado integralmente se um dos setores tiver qualquer falha conjuntural”, defende.

O concelho, que tinha “uma economia virada para a agricultura, que se estava a degradar cada vez mais”, “agora está praticamente sustentado por um setor económico, o mineiro, que é muito volátil, porque os recursos são finitos e o preço dos minerais é muito flutuante”, explica.

“Não quero imaginar como seria o concelho sem a atividade mineira, nem o que poderá acontecer se não forem encontradas alternativas à mina e, por isso, trabalhamos para conseguir diversificar a base económica para que a população possa ter outras atividades que permitam a sua subsistência quando a exploração da mina acabar”, frisa.

Castro Verde tem uma exploração mineira, que “emprega grande parte da população ativa”, mas continua a ser um concelho rural, cuja vocação principal é a agricultura e onde “o turismo é uma área com um potencial muito grande”, frisa.

Segundo o dirigente do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM) Luís Cavaco, a exploração da mina de Neves-Corvo “foi, é, e Deus queira que continue a ser durante muito tempo, um pilar de extrema importância em termos de emprego e alavancagem da economia” do concelho de Castro Verde.

No entanto, “há casos de precariedade laboral e baixos salários, que afetam principalmente trabalhadores dos subempreiteiros que operam na mina ao serviço da Somincor”, lamenta o sindicalista.

Por outro lado, defendeu Luís Cavaco, a Somincor, atendendo aos “lucros estrondosos de muitos milhões de euros que tem tido”, deveria atribuir “melhores prémios” aos trabalhadores e “remunerações um pouco melhores a alguns dos funcionários”.

Segundo a Somincor, a história da mina de Neves-Corvo começou em 1977, quando foi descoberto o depósito de sulfuretos maciços de Neves com quantidades significativas de metais básicos, principalmente cobre e zinco, na sequência de uma perfuração de exploração desenvolvida por um consórcio luso-francês.

Após a descoberta, o consórcio criou em 1980 a Somincor, que desenvolveu os trabalhos de acesso ao depósito entre aquele ano e 1988, quando começou a extração e a produção de minério.

A Somincor foi vendida em 2004 à empresa canadiana Eurozinc, que, em 2006, se fundiu com a sueca Lundin Mining, originado a companhia sueco-canadiana Lundin Mining, atual proprietária da concessionária da mina.

Em 2010, a companhia anunciou a descoberta de um novo depósito rico em cobre no complexo mineiro, batizado de Semblana, que veio juntar-se aos cinco depósitos que já existiam (Neves, Corvo, Graça, Zambujal e Lombador).

O depósito de Semblana é considerado a mais importante descoberta no complexo mineiro de Neves-Corvo desde 1988, quando foi descoberto o jazigo do Lombador, rico em zinco.

Em 2014, a Somincor assinou com o Estado Português um contrato de alargamento da concessão da mina para exploração do depósito de Semblana, o que vai permitir prolongar a vida do complexo até 2027.

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