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Fábrica da Autoeuropa revolucionou o emprego na região de Setúbal

Uma parceria entre a Ford e a Volkswagen no início dos anos 90 do século passado deu origem à fábrica de automóveis de Palmela, unidade industrial responsável por uma revolução no emprego e no desenvolvimento da região de Setúbal.

Inaugurada em 1995 pelo então primeiro-ministro Cavaco Silva, a fábrica de automóveis da Autoeuropa, que passou a ser detida apenas pelo grupo alemão Volkswagen em 1999, atingiu uma produção de dois milhões de veículos em 2013 e continua a ter um papel decisivo na economia da região e do País, representando 1,1% do PIB (Produto Interno Bruto) de Portugal.

A Autoeuropa “fez com que Palmela deixasse de ser conhecida, exclusivamente, como um concelho eminentemente rural”, reconhece o presidente da Câmara, Álvaro Amaro, que acompanhou a transformação da região antes de assumir a presidência do município.

“A par de uma agricultura e de uma vitivinicultura fortes, que fazemos questão de preservar, temos o privilégio de ter uma das indústrias mais significativas do País, que transfigurou a vida no território”, acrescenta o autarca de Palmela.

Álvaro Amaro destaca também o papel da empresa do grupo Volkswagen na qualificação profissional, salientando o trabalho desenvolvido através da ATEC, uma academia de formação em que participam outras empresas, com o objetivo de formar profissionais qualificados para o setor automóvel e outras áreas de atividade.

O coordenador da União de Sindicatos de Setúbal (USS), Luís Leitão, reconhece que a Autoeuropa sempre teve um grande impacto na criação de emprego na região de Setúbal, mas adverte para a degradação das condições de trabalho em diversas empresas fornecedoras, que “pagavam salários acima da média, mas que recorrem cada vez mais ao trabalho precário, pagando apenas o salário mínimo ou pouco mais”.

“A Autoeuropa também tem responsabilidade nesta matéria, pelas condições dos concursos para fornecedores, com margens muito apertadas, que acabam por obrigar a uma redução dos salários nessas empresas”, sustenta o sindicalista.

Mas se a Autoeuropa tem sido importante para a criação de emprego na região e no País – tem atualmente cerca de 3.500 postos de trabalho diretos -, tal como tem sido importante para a melhoria de diversos cursos de formação profissional, ajustando-os às necessidades do mercado de trabalho, também tem sido um fator de atração para muitas empresas fornecedoras, nacionais e estrangeiras.

Faurecia (peças e plásticos), Vanpro (assentos), Tenneco (sistemas de escapes), Benteler (eixos traseiros e dianteiros), Palmetal (chapas e logística) e Wheels (logística), foram apenas algumas das empresas que se instalaram na região, ou no País, graças à Autoeuropa.

Estas empresas, juntamente com a Autoeuropa, decidiram também integrar o FIAPAL – Fórum da Indústria Automóvel de Palmela, um fórum de reflexão que visa consolidar o `cluster´ do setor automóvel na região.

Além de atrair grandes empresas, a Autoeuropa permitiu também o aparecimento de pequenas empresas familiares junto da fábrica de Palmela, de que é exemplo o restaurante a Tasquinha Alentejana, que dá emprego a toda a família e a mais três funcionários, mas que está totalmente dependente do parque industrial.

“Cerca de 99 por cento dos nossos clientes são trabalhadores da fábrica de automóveis e de empresas do Parque Industrial”, disse à Lusa David Bizarra, proprietário do restaurante, consciente de que o negócio “só é viável enquanto existir a Autoeuropa”.

Uma preocupação partilhada pelo presidente da Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS), Rui Garcia, que prefere ter uma perspetiva positiva do futuro da Autoeuropa, reconhecendo a importância da empresa para toda a península de Setúbal e para o País.

“A Autoeuropa voltou a proporcionar um número de postos de trabalho muito significativo e devolveu à região uma presença na indústria, que tinha sido perdida nos anos 80 com o encerramento de algumas grandes empresas com muitos postos de trabalho”, disse, advertindo, no entanto, para o perigo das deslocalizações inesperadas.

Estas grandes multinacionais, segundo Rui Garcia, “de vez em quando, alteram as suas perspetivas e vão à procura de melhores localizações. Se isso acontecer com a Autoeuropa, e se, entretanto, não houver uma diversificação da base económica da região, com a instalação de outras empresas, a partida da Autoeuropa será extremamente grave para a região e para o País”.

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