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Fafe, a terra minhota que conquistou o título de “Catedral dos Ralis”

Fafe é terra conhecida como a “Catedral dos Ralis”, tal é a fama do concelho minhoto que, há décadas, seduz milhares de entusiastas, de muitos países, ansiosos pelo salto da Lameirinha, o mais famoso do Mundial de Ralis.

No Rali de Portugal, as imagens dos atuais carros de competição, conhecidos como ‘WRC’, “voando” no salto de Fafe, perante uma grande moldura humana nas colinas envolventes, correm o mundo e são das mais usadas para promover o mundial de ralis.

“A sua fama e visibilidade eram tais que chegou a passar nos ecrãs dos aviões da TAP e foi alvo de várias reportagens em revistas nacionais e internacionais”, recorda o antigo presidente da Câmara Parcídio Summavielle, entusiasta dos ralis que liderou a autarquia nas décadas de 80 e 90 do século passado.

Essas imagens “míticas”, como os amantes dos ralis gostam de apelidar, não são muito diferentes do que se via nos anos de 1970 e 1980. Disputava-se então o troço da Lagoa, um rendilhado de curvas em terra batida nas serranias minhotas.

“O desporto automóvel foi sempre uma das maiores atrações do território”, observa o ex-autarca, recordando a paixão de Fafe pelos ralis e o investimento dos sucessivos executivos municipais.

Em 1985, vivia-se então o período áureo do mundial de ralis, com os carros mais potentes de sempre, do designado Grupo B, com mais de 500 cavalos, a “varrerem” os vários troços no concelho, entretanto acrescentados ao rali, incluindo a passagem pelo Confurco, um misto de terra e alcatrão muito procurado pelos espetadores colocados numa espécie de estádio, aproveitando o declive envolvente e proporcionando, outrora como agora, imagens aéreas que as televisões não se cansam de exibir.

A maioria dos troços em terra batida tinham sido abertos nas serranias no final da década de 70 pela autarquia, para garantir o acesso às aldeias mais isoladas e facilitar o combate aos fogos florestais, recorda Summavielle.

Em Fafe, o dia do rali, habitualmente em março, nos idos anos 80, era quase feriado municipal. Até as escolas e algumas fábricas davam tolerância de ponto para as pessoas, de todas as idades, munidas de farnéis, poderem assistir à prova. A terra enchia-se de gente que chegava, dias antes, incluindo milhares de espanhóis, ajudando a animar a economia local.

“A fama de Fafe era de tal ordem que as grandes marcas que competiam a nível internacional escolhiam os nossos troços para testar as máquinas e os pneus”, lembra o antigo autarca.

A notoriedade de Fafe, nacional e internacional, registou nessas décadas um enorme incremento, apesar do continuado mau comportamento do público, o que justificaria, uns anos depois, em 2002, que o Rali de Portugal, por questões de segurança, deixasse de contar para o mundial.

A prova só regressou a Portugal em 2007, mas para se disputar no Algarve.

“A transferência do rali para o Sul representou um sério revés para Fafe e para os concelhos do Norte”, assinala o ex-autarca.

Fafe só voltaria a sentir as emoções fortes dos WRC em 2012, com a realização do ‘Fafe Rally Sprint’, uma prova de demonstração no troço da Lameirinha, sem contar para o mundial, mas que reunia os melhores do campeonato. A Câmara local e o seu presidente de então, José Ribeiro, investiram na segurança (300 militares da GNR) e noutras condições para mostrar ao país, ao mundo e ao Automóvel Clube de Portugal, entidade organizadora, que o rali devia regressar ao norte do país, onde está o maior número de adeptos, o que acabou por aconteceu em 2015.

“Valeu a pena o nosso esforço”, comenta o atual presidente da Câmara, Raul Cunha.

Desde então, as duas edições já disputadas a norte evidenciaram um troço de Fafe menos extenso (cerca de seis quilómetros), mas renovado, em que a segurança é a palavra de ordem, sem que a espetacularidade dos saltos ou do Confurco, onde foram montadas zonas espetáculo, deixasse de ser revivida por dezenas de milhares de aficionados, numa amálgama de bandeiras de inúmeras nacionalidades. Muitos deles, como manda a tradição, aguardaram o grande momento vários dias, acampados na serra. Para muitos, ir a Fafe ver o rali, em família ou com um grupo de amigos, é um ritual que se repete.

Nos dois anos, Fafe foi a “Power Stage” da prova, o que significa ter as honras de encerrar o rali, dar pontos extra aos três primeiros classificados e ser transmitida em direto para milhões de espetadores de dezenas de países, promovendo o concelho além-fronteiras, para orgulho dos locais.

Também o nacional de ralis dá crédito à tradição e capacidade organizadora de Fafe, porque é lá que se disputa a prova inaugural do campeonato, uma das mais apreciadas pelos pilotos.

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