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Fecho de fábricas em Portalegre acaba com “cidade operária” do Alentejo

Conhecida, em tempos, como a “cidade operária” do Alentejo, Portalegre apresenta hoje um tecido empresarial débil, depois de, nas últimas duas décadas, o fecho de várias fábricas ter condicionado o seu desenvolvimento económico e social.

Com cerca de 24 mil habitantes, o concelho, localizado no Alto Alentejo, vive essencialmente dos serviços e da agricultura, cabendo também um papel relevante às instituições de solidariedade social e à Câmara Municipal, uma das principais entidades empregadoras.

“O encerramento das fábricas de Lanifícios Fino´s, em 2003, da Johnson Controls (componentes para automóveis), em 2007, e da Robinson (transformação de cortiça), em 2009, mataram a cidade”, diz à agência Lusa o antigo coordenador da União de Sindicatos do Norte Alentejano (USNA), Diogo Júlio.

O sindicalista recorda que estas e outras unidades fabris que laboravam em Portalegre chegaram a empregar “cerca de três mil operários” há 30 anos, mas “quando ocorreram, por exemplo, os encerramentos da Fino´s, Johnson Controls e da Corticeira Robinson, foram cerca de 650 pessoas para o desemprego”.

“Esta situação leva ao desmoronar de toda a economia de Portalegre. É doloroso ver, 30 anos depois, a Rua do Comércio, que era o coração da cidade e hoje tem nas montras das lojas cartazes a dizer ‘encerrado’ ou ‘trespassa-se’”, lamenta.

Sem ligações por autoestrada e com uma estação de comboios a mais de dez quilómetros da cidade, Portalegre, segundo Diogo Júlio, começa a “atingir um ponto de não-retorno”, perdendo habitantes dia após dia.

“O problema de Portalegre não se resolve com o ‘atirar-se dinheiro para cima’. A cidade necessita é de massa crítica, de valorizar aquilo que tem e de travar a desertificação humana”, diz, defendendo uma “conjugação de vontades” entre as diferentes entidades.

O presidente do núcleo empresarial, Jorge Pais, também considera que o fecho de fábricas “marcou” Portalegre nos últimos anos, dando origem a uma cidade “pouco dinâmica”.

“A vida económica está sem alma, sem dinâmica e só o regresso de postos de trabalho, principalmente através de investimento privado, pode gerar um desenvolvimento sustentável”, defende, em declarações à agência Lusa.

Jorge Pais alerta, também, que “resta pouco tempo” para a cidade dar a volta aos problemas que possui, nomeadamente em termos da criação de emprego e de fixação de massa critica.

“Começa a ser cada vez mais difícil, com o passar do tempo, conseguir que haja capacidade de desenvolver novos projetos empresariais próprios, mesmo que pequenos, e de atrair investimentos de outras origens que sintam que em Portalegre têm condições para se desenvolver”, diz.

Depois de, ao longo dos últimos anos, ter praticamente desaparecido a autoproclamada “cidade industrial”, resta hoje a Portalegre a esperança de manter em funcionamento o centro de formação da GNR e as três escolas pertencentes ao Instituto Politécnico.

Além dos problemas económicos e sociais que atravessa, Portalegre também “vive longe” da realidade experimentada por outras capitais de distrito e nem ao mundo do “fast-food” chegou, não dispondo de qualquer loja de cadeias internacionais de pizzas ou hambúrgueres.

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