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Ferreira do Alentejo ganha “nova vida” com regadio e afirma-se “capital do azeite”

Ferreira do Alentejo, onde começou a rega do Alqueva, ganhou “nova vida” e afirma-se como “capital do azeite” graças ao regadio, que atraiu vários investimentos, como os maiores lagar e produtor de uva de mesa de Portugal.

O concelho “tinha um atraso endémico”, mas “o facto de ser disponibilizada água”, através do Perímetro de Rega de Odivelas e do Alqueva, “permitiu uma nova vida à agricultura e um grande pulo no desenvolvimento económico”, diz à agência Lusa Aníbal Costa, presidente da Câmara de Ferreira do Alentejo, no distrito de Beja.

Através do perímetro, que começou a funcionar em 1974 e é abastecido pelas albufeiras de Odivelas e do Alvito, que recebem água do Alqueva, “já havia uma assinalável experiência de regadio no concelho, que estava a dar bons resultados”, frisa.

Depois, “apostou-se, e bem, em começar o regadio do Alqueva pelo concelho de Ferreira do Alentejo”, onde foi construído e, em 2004, começou a funcionar o primeiro bloco de rega do projeto, conhecido como Infraestrutura 12.

Atualmente, o concelho tem cerca de 21 mil hectares (ha) de regadio público, distribuídos pelo perímetro de Odivelas, que integra a Infraestrutura 12, e por mais dois blocos de rega do Alqueva, o de Ferreira e o de Alfundão, que começaram a funcionar em 2011.

Com “condições únicas” para agricultura de regadio, como “bons solos e, muito importante, água”, Ferreira do Alentejo “foi um tubo de ensaio e é um bom exemplo das potencialidades do regadio do Alqueva”, que “está a ter resultados bastantes positivos e com bons contributos” para o desenvolvimento do concelho e de toda a restante área de influência, frisa.

A agricultura de regadio é “um setor decisivo” para o concelho, onde “já criou e pode criar mais atividades com grande sustentabilidade económica e capazes de dinamizar a economia”, sublinha.

Por isso, lembra, o município criou, em 1998, a Feira Nacional da Água e do Regadio para promover as potencialidades do concelho na área da agricultura de regadio.

Também o presidente da Associação de Beneficiários da Obra de Rega de Odivelas (ABORO), Manuel Reis, diz à Lusa que “o regadio tem sido de grande importância para o concelho, permitindo investimentos com maior competitividade e rentabilidade e menor dependência sazonal de água”.

A “garantia total de água” em Ferreira do Alentejo, graças ao Alqueva, “permitiu reconverter a tradicional agricultura de sequeiro na agricultura de regadio e tem sido fundamental para atrair novos investidores e levar os que cá estão a investir com a certeza de abastecimento de água”, explica Manuel Reis.

Segundo dados do município de Ferreira do Alentejo, o regadio passou a ser usado em algumas culturas tradicionais, como olival e girassol, e permitiu a introdução e a expansão de novas culturas, como olival intensivo, uva de mesa, citrinos, nozes e amêndoa.

A cultura do olival foi a que teve “maior expansão”, com a criação e ampliação de várias empresas que apostaram na plantação de novos olivais intensivos e superintensivos, e é a “predominante” no concelho, onde ocupa cerca de 10 mil hectares, indica a autarquia.

Algumas empresas também investiram na transformação de azeitona, o que levou à construção de seis novos lagares no concelho, sendo um deles o maior de Portugal, do grupo Sovena, líder mundial no setor do azeite.

Os seis lagares implicaram um investimento total de 60 milhões de euros e criaram 70 postos de trabalho e os olivais associados cerca de 200, permanentes e sazonais, refere o município, que, devido à importância do setor olivícola, criou em 2012 a marca e tem vindo a afirmar-se como “Ferreira do Alentejo, Capital do Azeite”.

O regadio permitiu outras culturas permanentes, como nozes e amêndoa (900 ha), vinha e uva de mesa (350 ha), citrinos (500 ha) e frutos frescos (211 ha), e temporárias, como milho, tomate, girassol, luzerna e melão, que ocupam cerca de 18 mil ha.

No concelho está instalado, também, o maior produtor português de uva de mesa, a Herdade Vale da Rosa, do empresário António Silvestre Ferreira e que ocupa 250 ha regados por água do Alqueva.

A herdade produz cerca de seis mil toneladas por ano de 12 variedades de uva, metade sem grainha, e emprega uma média mensal de 350 trabalhadores, chegando aos 900 por mês no período de apanha de uva, entre junho e novembro, diz à Lusa o diretor da exploração agrícola, Ricardo Costa.

Seguindo os passos do pai, dois filhos do empresário investiram na produção de uvas sem grainha em seis hectares cada um em herdades do concelho, sendo que um deles, Henrique Silvestre Ferreira, ganhou este ano o prémio “Projeto Mais Inovador da Europa” atribuído pelo Parlamento Europeu no 3.º Congresso Europeu de Jovens Agricultores.

A importância do regadio também levou a autarquia a criar o Parque Agroindustrial do Penique, situado perto de Odivelas e a cerca de oito quilómetros da vila de Ferreira do Alentejo, para “a instalação de unidades agroindustriais que precisassem de áreas generosas para desenvolver as suas atividades.

Atualmente, no parque, que ocupa 48,25 ha, já estão a funcionar um lagar, uma unidade de transformação de bagaço de azeitona para produção de biomassa e energia e outra de secagem, armazenagem e comercialização de milho, projetos que implicaram um investimento total superior a 30 milhões de euros, refere o município.

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