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Ferreira do Zêzere passou de concelho “longe de tudo” a Capital do Ovo

Numa época em que chegar a Ferreira do Zêzere, no distrito de Santarém, era um tormento, um empresário, na altura com 60 anos, deu início a uma atividade que se tornou imagem de marca do concelho, a produção de ovos.

Criada em 1986 por Francisco Fernandes, quando o acesso à vila ainda se fazia por uma estrada cheia de curvas, a Zêzerovo acabou por abrir portas a outras empresas, do mesmo ramo, como a Uniovo (que se instalou no ano seguinte), e de áreas de apoio, e tornou-se na principal produtora de ovos do país.

“Na década de 80 [do século XX], o concelho estava de facto mal servido de vias de comunicação. Ferreira do Zêzere estava longe de tudo, pelo que a determinação dos nossos empresários é ainda mais louvável”, diz à Lusa Jacinto Lopes, presidente da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere desde 2009.

Às dezenas de pavilhões (23 só da Zêzereovo, com uma capacidade para 1,4 milhões de galinhas poedeiras e “equipados com as mais recentes tecnologias e normas de bem-estar animal”) juntaram-se outras empresas da fileira, como as que produzem rações, recentemente alargadas aos animais de companhia numa iniciativa que juntou várias empresas instaladas no concelho.

A importância que o setor assumiu nas últimas décadas levou a que a Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere registasse, em 2009, a marca Capital do Ovo, num reconhecimento do “trabalho que levou os produtores a posicionarem-se como líderes do mercado”, mas também procurando dar visibilidade ao concelho, frisa o autarca à Lusa.

Jacinto Lopes recorda o impacto que teve nessa estratégia a entrada para o Guiness, com o recorde da maior omelete do mundo, feita em 2012 com 6.000 quilogramas de ovos.

À “notoriedade e visibilidade” associadas à criação da marca e ao impacto que teve o evento que permitiu a entrada para o Guiness, Alfredo Martins, gerente da Zêzereovo, junta a adesão da empresa – que fornece as grandes superfícies nacionais e exporta principalmente para a Europa mas também para África – ao selo “Portugal Sou Eu”, criado pelo Governo para promover a produção nacional.

De um pavilhão com capacidade para 35.000 galinhas, em 30 anos a empresa foi crescendo até à capacidade atual de 1.400.000 galinhas em postura, possuindo o maior pavilhão de postura da Europa, realçou.

“O setor agroindustrial, onde se inclui a indústria do ovo, continua a ser um dos mais importantes do concelho, pois para além da sua própria atividade faz com que um grande número de empresas que gravitam à sua volta tenham uma atividade significativa”, diz Jacinto Lopes à Lusa.

Inserido num território de grande beleza paisagística, marcado pela floresta e o rio Zêzere, com os grandes lagos formados pela albufeira da barragem do Castelo de Bode, e pelo património, de que se destaca a aldeia de Dornes, o município tem vindo a reforçar a aposta na diversificação das atividades desenvolvidas no concelho, procurando “criar mais e melhores postos de trabalho”, acrescenta.

Com o problema das acessibilidades resolvido desde 2006 – com a variantes que reduziu o tempo de ligação da vila ao IC3 “de 30 para três minutos” -, a aposta no turismo tem-se reforçado.

Aos diversos festivais gastronómicos promovidos pelo município têm-se juntado eventos como a etapa europeia do circuito mundial de wakeboard, que se realizou em junho último, e surgido investimentos privados para criar oferta de alojamento e empresas ligadas ao turismo, sobretudo náutico.

Nas últimas décadas, Ferreira do Zêzere assistiu à fixação de uma crescente comunidade estrangeira – que rondará as 300 pessoas em pouco mais de 8.000 residentes -, responsável por dinâmicas como a que esteve na origem de um dos principais festivais de música erudita da região, o ZêzereArtes.

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