Fechar
Abrir

Ferreira Torres marcou 20 anos de Marco de Canaveses com paixões e inimizades

O ex-presidente da Câmara de Marco de Canaveses, Avelino Ferreira Torres, atualmente com 71 anos, marcou o concelho durante mais de duas décadas com uma liderança geradora de paixões, inimizades e, às vezes, polémicas.

Recordar o período de Torres na Câmara, que presidiu entre 1983 e 2005, é recuar ao tempo em que o protagonismo do autarca, idolatrado por uns e detestado por outros, valia sucessivas vitórias autárquicas, apesar de o fazer à frente do CDS, partido com pouco peso político na região.

Ferreira Torres era, acima de tudo, um homem do terreno, tantas vezes calçando galochas, junto dos funcionários, controlando as empreitadas. As inaugurações das muitas obras que a sua gestão deixou no concelho eram momentos de festa e de exaltação de um líder que impressionava muitos munícipes.

“A minha maneira de trabalhar foi sempre a mesma, trabalhar em prol das populações. Nunca quis tachos, só perdi dinheiro em estar na Câmara do Marco. Ajudei muitas pessoas com dinheiro do meu bolso”, conta o ex-autarca à agência Lusa.

Houve momentos em que, na autarquia, Avelino Ferreira Torres erguia a voz e assumia posições controversas em matérias de gestão autárquica, muitas vezes escalpelizadas em conferências de imprensa em que os jornalistas eram uma minoria face aos apoiantes do presidente da Câmara, que enchiam o salão nobre dos Paços do Concelho.

Nas décadas de 80 e 90 do século passado, as obras iam-se sucedendo a grande ritmo, destacando-se os equipamentos desportivos e os quase mil quilómetros de estrada que diz ter feito, ao mesmo tempo que a cidade e o concelho assistiam a um crescimento inédito e algo desordenado no setor da construção, nascendo grandes edifícios.

“Sigo muito aquilo que o Marquês do Pombal fez e é para quem eu olho quando penso num concelho, na sua organização e nas populações”, afirma, a propósito da obra que diz ter deixado.

Pelo meio, Ferreira Torres enfrentou dois processos judiciais, nos quais respondia por alegadas irregularidades na gestão do município, mas dos quais saiu absolvido.

Em 2005, quando deixou a autarquia de Marco de Canaveses, Avelino Ferreira Torres também deixou uma grande dívida na autarquia, que o tinha obrigado a um contrato de reequilíbrio financeiro com o Estado, considerado muito penalizador para as finanças do Município, que ainda hoje vigora.

Naquele ano, decidiu mudar-se para Amarante, a sua terra natal, e concorrer à autarquia local, à frente de um movimento independente, com uma campanha mediática, nunca antes vista no concelho.

“Fui com entusiasmo, porque era a minha terra”, recorda, acrescentando: “A decisão de ir para Amarante deveu-se ao chamamento de muitas pessoas influentes de Amarante, que verificaram o desenvolvimento que o Marco teve e Amarante ficou parado”.

Apesar da grande mobilização e de as sondagens apontarem para uma possível vitória, acabou por perder as eleições para o socialista Armindo Abreu, numa noite muito mediática com a presença dos canais de televisão.

Ferreira Torres ainda foi vereador na oposição em Amarante, num executivo minoritário do PS, onde protagonizou momentos de crispação com o presidente da Câmara, que quase acabavam em confronto físico, mas acabou por deixar aquelas funções.

Além disso, o seu sucessor no Marco de Canaveses, Norberto Soares, também perdeu as autárquicas naquele ano.

“Se eu tivesse concorrido novamente ao Marco teria ganhado”, considera o antigo presidente da Câmara.

Em 2009 voltou a candidatar-se à Câmara do Marco, mas perdeu para o social-democrata Manuel Moreira, que renovou a maioria absoluta.

Além da política, hoje diz recordar com orgulho o passado enquanto dirigente desportivo, nomeadamente do principal clube da cidade.

“Peguei no Marco na terceira divisão e levei-o à antiga segunda divisão nacional. Foram subidas sobre subidas”, destaca.

Voltar atrás