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Festival de música ganha projeção e enche o Crato todos os anos

O Festival do Crato, no Alto Alentejo, faz parte do roteiro dos festivais de verão desde 2010, com milhares de festivaleiros atraídos pela programação musical eclética, e tem em Rui Veloso um músico que não lhe regateia aplausos.

Com palco no interior do país, por iniciativa do município do Crato, no distrito de Portalegre, o festival altera em agosto o ritmo de vida dos habitantes do concelho, que, ano após ano, “oferecem” aos visitantes concertos com grandes nomes da música nacional e internacional.

Luís Pargana, supervisor e coordenador do Festival do Crato entre 2010 e 2014, diz à agência Lusa que a “coerência” da programação musical que o evento apresenta “permitiu o seu reconhecimento” a nível nacional, além de se tratar de uma iniciativa “abrangente”, ao apresentar espetáculos para todas as idades.

Tudo começou com a criação de uma feira de artesanato e gastronomia, na vila do Crato, que, ao longo das últimas duas décadas, cresceu e ganhou notoriedade, ao ponto de, em 2010, a organização ter subido a fasquia para festival, como forma de “ganhar projeção” a nível nacional e “descolar” do conceito de “grande evento” regional.

Hoje em dia, o festival tem o dom de conseguir transformar a pacata vila numa “espécie de cidade”, com uma rotina diferente da habitual, onde a noite se mistura com o dia e o dia com a noite, ganhando com isso, sobretudo, a restauração e a hotelaria locais.

Embora reconhecendo que o festival “muda todos os anos, em finais de agosto, a vida dos habitantes do concelho”, Luís Pargana frisa que o conceito da iniciativa passa por criar “laços de afeto” entre as pessoas que visitam o Crato e os residentes.

Sem esquecer o passado, o evento, realizado anualmente na praça central da terra, mantém a vertente do artesanato e da gastronomia, permitindo aos visitantes apreciar e saborear o que “de melhor se faz” na região.

Com a “projeção” do festival, a organização sentiu também a necessidade de criar um espaço dedicado ao campismo, de forma a dar resposta aos milhares de jovens que rumam de mochila às costas até ao concelho alentejano.

“É uma loucura a afluência de campistas. Inicialmente, foi improvisado um parque de campismo junto às piscinas municipais, mas depois, em cada ano que passava, era aumentada a área e melhoradas as condições”, observa Luís Pargana, ressalvando que “os campistas são uma importante fatia dos públicos do festival”.

Pelo palco do festival alentejano já desfilaram muitos artistas estrangeiros, como os Scorpions, Emir Kusturica, James, Roger Hodgson, Vaya Con Dios, Booka Shade, Gabriel o Pensador, Gilberto Gil, UB40, Marcelinho da Lua, Gotan Project e Nouvelle Vague.

A “prata da casa” também tem um lugar de relevo neste festival, com as presenças de Rui Veloso, Xutos & Pontapés, Clã, Blasted Mechanism, The Gift, Ornatos Violeta, Buraka Som Sistema, Peste & Sida, A Naifa, Pedro Abrunhosa, Dead Combo, Deolinda, Tim, Mariza, Sétima Legião, Amor Electro e The Legendary Tigerman.

Sendo um dos músicos portugueses que mais vezes já pisou o palco do Crato, Rui Veloso destaca o facto de por este festival já terem passado “nomes completamente impensáveis” para uma festa que se realiza no interior do país.

“Eu acho incrível. É uma grande festa que ganhou dimensão pela quantidade de gente que visita o Crato, é impressionante”, sublinha, em declarações à Lusa.

Rui Veloso recorda que este festival tem a particularidade de conseguir “misturar” os músicos com o público nos espaços onde estão instaladas as tasquinhas com os petiscos regionais.

“É normal andar no meio das pessoas, não posso é fazer isso muitas vezes, porque estão sempre a convidar-me para beber um copo, comer aquilo, comer o outro e, depois, corremos o risco de o concerto ficar ligeiramente alterado. É perigoso…”, ironiza.

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