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Fim da CUF marca vida do Barreiro nas últimas décadas

A Companhia União Fabril instalou-se no Barreiro em 1908 e o concelho cresceu a par do complexo de Alfredo da Silva, com o fim do gigante industrial a marcar as últimas décadas deste território do distrito de Setúbal.

Tendo sido dos mais importantes complexos industriais da Península Ibérica e o mais importante em Portugal, a Companhia União Fabril (CUF) passou pelas nacionalizações em 1975 e sofreu uma cisão, surgindo então a Quimigal.

A partir daí, tudo mudou.

“A CUF foi um elemento muito importante não só para o concelho como para o país, que trouxe emprego, crescimento económico e fez crescer o Barreiro, apesar de trazer também poluição. Foi um investimento que marcou e ainda marca o Barreiro”, diz à Lusa Carlos Humberto (PCP), presidente da Câmara local.

No final da década de 1980, as indústrias começaram a fechar e surgiu então a Quimiparque, que transformou o complexo industrial num parque empresarial.

O autarca lembra que a CUF no Barreiro chegou a ter cerca de 15 mil trabalhadores diretos, pelo que o fim foi “terrível” para o concelho.

“Algumas indústrias que existiam não podiam continuar como estavam, em termos ambientais, mas não se ponderou o futuro. Tinha de se criar alternativas. A forma como foi encerrada a CUF foi um crime e ainda hoje sofremos as consequências”, frisa.

O complexo industrial passou a ser um parque empresarial, que hoje tem o nome de Baía do Tejo, com o autarca a lembrar a perda de postos de trabalho, de atividade económica e até a perda de população no concelho.

“O que existe não tem comparação possível com o que tínhamos. São traços muito escuros, os que foram provocados pelo encerramento”, defende.

Sérgio Saraiva, da administração da Baía do Tejo, diz à Lusa que quando tomaram posse do espaço, em 2012, encontraram um território que estava a sofrer com a desindustrialização e com a perda de empresas.

“O território sofreu nas últimas décadas com a desindustrialização e depois, já como parque empresarial, estava a perder clientes e área contratada. Demos destaque à promoção do território e à recuperação urbanística, de infraestruturas e edifícios, conseguindo inverter a tendência, com três resultados positivos nos últimos anos em termos de entradas e saídas de clientes”, afirma.

A Baía do Tejo, para além da gestão do parque empresarial, tem também responsabilidades na promoção do projeto Arco Ribeirinho Sul, de requalificação das antigas áreas industriais da antiga CUF (Barreiro), Siderurgia (Seixal) e Margueira (Almada), bem como da recuperação ambiental, um processo que tem estado a decorrer e que é para continuar.

O antigo complexo industrial já abriu os seus portões para a cidade, com a inauguração de uma ligação rodoviária entre o centro do Barreiro e a freguesia do Lavradio, pelo interior do parque, tendo também decorrido obras em acessos e infraestruturas, estando outras prontas a avançar.

“Temos 196 empresas aqui instaladas, o que é importante, apesar de algumas áreas ainda estarem desaproveitadas. Efetuámos vários trabalhos de requalificação e este ano vamos avançar com a abertura definitiva do parque, numa intervenção que vai ter uma componente ambiental forte, com 5.000 metros quadrados de áreas verdes num espaço que estava fechado ao público”, explica Sérgio Saraiva.

Carlos Humberto diz que os cerca de 240 hectares do atual Parque Empresarial da Baía do Tejo, que correspondem a 10 por cento do território do município do Barreiro, continuam a ser decisivos para o concelho.

“Temos de preservar algum do património existente e reaproveitar o espaço para atividade económica, atividade portuária e criação de emprego. O terminal pode ser um investimento âncora que torne mais rápido o desenvolvimento que preconizamos e estamos a trabalhar nesse sentido”, frisa.

Sérgio Saraiva também concorda que o novo terminal de contentores, que está a ser estudado para o Barreiro, no território da Baía do Tejo, seria um investimento importante.

“Equipamentos de nível nacional, como este caso da reconfiguração da atividade portuária, seriam uma importante alavanca para tornar o território a referência que já foi no passado”, conclui.

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