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Freixo de Espada à Cinta aposta em potencial arquitetónico “único”

Freixo de Espada à Cinta, a “vila mais manuelina de Portugal”, está a aproveitar, nas últimas décadas, um potencial arquitetónico “único”, que a torna em “museu vivo”.

Jorge Duarte, investigador da história deste concelho do distrito de Bragança e técnico do município de Freixo de Espada à Cinta, diz à agência Lusa que a população e o poder autárquico “têm sabido”, de uma forma ou de outra, preservar um património arquitetónico “único no país”, marcado pelo estilo manuelino.

De acordo com o investigador, à medida que o tempo vai passando, mais importância é dada às características manuelinas de uma vila encaixada entre as arribas do Douro Internacional e o Planalto Mirandês.

“Basta dar uma volta pela vila e depressa nos apercebemos de que grande parte dos turistas para obrigatoriamente a apreciar o conjunto de portas e janelas de origem manuelina, espalhadas um pouco por todo o centro histórico”, exemplifica.

A igreja matriz da localidade está, também, no roteiro manuelino de Freixo, tal como a igreja da Misericórdia, construídas na época dos Descobrimentos.

Porém, Jorge Duarte alerta para a necessidade de dar andamento ao processo de “classificação” do património manuelino existente na vila, para que este esteja salvaguardado e se mantenha o seu valor cultural turístico.

A par do manuelino, também o ciclo da seda é um ponto de interesse cultural e turístico que tem levado “muita gente” a Freixo de Espada à Cinta, diz o investigador.

No passado, a vila foi um centro importante de produção de fio de seda e atualmente tem um polo do Museu do Douro (MD) dedicado a esta temática.

Os responsáveis pelo Museu da Seda e do Território, instalado no centro histórico da vila, desafiam a nova geração de criadores de moda a utilizarem este tecido como matéria-prima nas suas produções.

Segundo o diretor do MD, Fernando Seara, é preciso dar oportunidades às pessoas ligadas ao ‘design’ têxtil ou de moda que possam empregar a seda nas suas criações.

“Seria importante que estes profissionais trabalhassem em parceria com as artesãs residentes, de forma a criarem peças de vestuário ou outras que as pessoas possam utilizar no seu dia-a-dia”, frisa.

O Museu da Seda e do Território está agora apostado em devolver a vitalidade económica que o ciclo da seda já teve no concelho de Freixo de Espada à Cinta.

Em declarações à agência Lusa, a presidente da Câmara de Freixo de Espada à Cinta, Maria do Céu Quintas, confere que a estratégia autárquica passa por divulgar a riqueza patrimonial e cultural da vila.

“Nós temos coisas únicas, tais como a temática do manuelino e a seda, termos é de saber divulgar este património. Só assim haverá desenvolvimento no concelho”, indica.

Para a autarca, é preciso também encarnar o espírito dos missionários e dos navegadores que saíram de Freixo de Espada à Cinta e promover o território junto das comunidades mais distantes, para cativar visitantes ao concelho.

“Temos vindo a desenvolver o nosso potencial ao longo dos anos, agora a iniciativa privada terá de continuar a fazer o seu papel e continuar a investir no setor do turismo”, especifica.

Se há pouco mais de 30 anos apenas havia uma pequena pensão na vila transmontana, agora os restaurantes, as unidades de turismo rural e hospedarias, oferecem já um leque de escolha a este concelho do interior com pouco mais de 3.700 habitantes.

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