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Gaia, um novo concelho que “nasceu” com Menezes

Outrora vista como o dormitório do Porto, Vila Nova de Gaia ganhou nova dimensão com a liderança de Luís Filipe Menezes, autarca do PSD que chegou em 1997 e em 16 anos mudou toda a dinâmica do concelho.

Para Firmino Pereira, vereador do PSD que o acompanhou ao longo dos quatro mandatos que cumpriu na Câmara Municipal, e que se mantém ainda hoje no executivo, na oposição, é mesmo possível “classificar a evolução política e estratégica de Gaia em três ciclos: antes de Menezes, durante Menezes e após Menezes”.

“Antes de Menezes, Gaia era um concelho conhecido pelos piores motivos”, recorda o também ex-vice-presidente da Câmara para quem Vila Nova de Gaia era, em 1997, “uma terra onde tudo estava praticamente por fazer”.

Em Vila Nova de Gaia, lembra, faltavam “infraestruturas básicas fundamentais”, uma rede viária alternativa e “políticas sociais estruturadas”, persistindo uma “política de urbanismo selvagem”, com “uma orla marítima e beira-rio decrépitas e abandonadas” e “pessoas a viver em milhares de barracas”.

“Mudou completamente a vida e o destino do município. Uma verdadeira revolução e transformação ocorreram em Gaia, [que]começou a ser falada pela positiva com os sinais da gestão de Luís Filipe Menezes”, destaca.

Também para o atual presidente da Câmara, o socialista Eduardo Vítor Rodrigues, nos últimos 30 anos Vila Nova de Gaia “registou francos progressos em áreas como a ambiental (por exemplo, na rede de saneamento) ou da mobilidade (com o desenvolvimento do plano nacional rodoviário)”.

O sucessor de Menezes nas autárquicas de 2013 considera que o aspeto “mais marcante” foi “o enorme crescimento demográfico registado” no concelho, contando atualmente com 304 mil habitantes, ou seja, mais 30% do que na década de 1980.

Eduardo Vítor Rodrigues, que na declaração escrita sobre as grandes alterações em Gaia nunca se referiu a Menezes, justifica que foi “este crescimento populacional” que “facilitou o desenvolvimento do concelho, sobretudo porque esteve associado a elevados financiamentos de fundos comunitários que beneficiaram todo o país”.

Ainda sobre as mudanças em Vila Nova de Gaia, salienta que “a evolução do concelho nas últimas três décadas é visível e acompanhou a própria dinâmica do desenvolvimento nacional” que, porém, “não foi acompanhado por um progresso social equivalente”.

“Em Gaia continuamos a ter de combater fenómenos de pobreza, de desemprego e de exclusão social, perturbadores quer pela sua dimensão quer pela indiciação de um modelo de desenvolvimento não equilibrado registado nas últimas décadas, em alguns casos seguindo vias de duvidosa sustentabilidade”, sublinha.

Durante os seus quatro mandatos, Menezes foi o mentor de um amplo processo de reabilitação do concelho, investindo cerca de 160 milhões de euros no parque habitacional social – que ganhou mais de três mil casas – e desenvolvendo uma rede de saneamento com uma taxa de cobertura de quase 100%.

Apostou também no ambiente, ampliando parques até atingir 8,5 metros quadrados de espaços verdes por habitante, e na reabilitação da costa marítima de cerca de 15 quilómetros de praias, atualmente com bandeiras azuis e ciclovias.

Acusado muitas vezes de despesismo – Gaia foi em 2009, a par de Lisboa, um dos municípios mais endividados do país, com quase 286 milhões de euros de passivo –, Menezes respondia sempre com a capacidade de o município conseguir fazer obra e captar investimento, mesmo em contraciclo com o resto do país.

Em 2013, o socialista Eduardo Vítor Rodrigues herdou uma Câmara com um passivo superior a 230 milhões de euros (segundo o relatório de contas do primeiro semestre de 2013) e em agosto de 2014 foi obrigado a realizar um saneamento financeiro.

Um mês depois, a Procuradoria-Geral da República (PGR) confirmou estar a investigar casos relacionados com a gestão do ex-autarca de Gaia.

A agência Lusa tentou ouvir Luís Filipe Menezes sobre o seu percurso em Gaia mas o também antigo conselheiro de Estado escusou-se a prestar declarações.

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