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Granito dá emprego e minas são atração em Vila Pouca de Aguiar

Os romanos exploraram o ouro em Vila Pouca de Aguiar, uma atividade que 2.000 anos depois é atração turística neste concelho que continua a ir às entranhas das serras extrair a principal fonte de receita e de emprego, o granito.

Tresminas, em Vila Pouca de Aguiar, é um dos locais na Europa que detém o mais importante e bem conservado complexo mineiro do Império Romano.

O presidente da Câmara de Vila Pouca de Aguiar, Alberto Machado, destaca à agência Lusa a “importância histórica” de Tresminas, tanto que estas minas a céu aberto eram geridas diretamente pela guarda do imperador.

O autarca considera que este é um “património arqueológico único”, que se preserva desde “há cerca de 2.000 anos” e que, por isso, se quer classificar como Património Mundial da Humanidade. O objetivo do município é formalizar a candidatura à UNESCO em 2017.

Em 2015, abriu o Centro Interpretativo de Tresminas, que leva os visitantes numa viagem à época romana e onde estão expostas “réplicas fiéis” de dois moinhos que mostram como os romanos trituravam o minério.

Segundo a autarquia, o investimento global efetuado no complexo mineiro ascende aos cinco milhões de euros (centro interpretativo, escavações, valorização do parque arqueológico, eventos culturais).

Com o projeto de Tresminas ficou a ganhar a freguesia e, segundo o presidente da Junta local, António Teixeira, o número de visitantes aumentou substancialmente.

“Se vinham cá 50 visitantes, passaram a vir 500 e vêm durante o ano todo”, salienta o autarca.

À boleia do complexo mineiro estão a crescer outros projetos, como os bombons de chocolate negro com ouro e mel de urze ou o ateliê “Terras de Ouro”, que junta artesãs que criam peças de bijutaria inspiradas na exploração mineira e na época romana.

Vila Pouca de Aguiar continua a acreditar que pode aliar a exploração antiga de ouro à moderna, mas a tentativa recente de concessão da exploração e prospeção em Jales/Gralheira falhou.

As minas de Jales fecharam na década de 1990, tendo sido as últimas de onde se extraiu ouro em Portugal.

No auge da exploração, chegaram a trabalhar nas minas à volta de mil trabalhadores, que extraíam cerca de 30 quilogramas de ouro por mês.

Atualmente, o “ouro” do concelho é o granito extraído das entranhas das serras, um setor que dá emprego e que proporciona um volume de negócios anual na ordem dos 100 milhões de euros.

“É o setor com maior expressão económica e o mais empregador”, afirma o vereador Duarte Marques.

São cerca de 2.000 pessoas que trabalham nas pedreiras e indústrias transformadoras locais, que estão a apostar na introdução de novas tecnologias e na contratação de licenciados.

Sandra Moura, natural de Cabeceiras de Basto, licenciou-se em geologia e foi esta especialização que a ajudou a encontrar de imediato emprego no setor dos granitos em Vila Pouca de Aguiar.

Há quatro anos que está na empresa Oliveira Rodrigues e é a única mulher a trabalhar no terreno, nas pedreiras desta empresa. “No início custou um bocadinho a adaptação. Adoro trabalhar aqui, é a minha vocação”, garante.

Neste concelho, a aposta tem sido dirigida também para os produtos locais, como a castanha, os cogumelos ou o cabrito, iguarias gastronómicas que seduzem os visitantes.

O número de turistas tem crescido e este aumento ajudou a incrementar projetos como o Alvão Village & Camping.

No Pedras Salgadas Spa & Nature Park foram construídas pequenas casas (eco houses ou tree houses), que se transformaram em atração turística naquele centenário parque termal e o município apostou na construção de um centro hípico que recuperou a tradição da arte equestre nesta vila.

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