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Hospital, Politécnico e estádio na base da modificação de Leiria

A construção do novo hospital de Leiria, a criação de duas escolas do Instituto Politécnico e a remodelação do Estádio Dr. Magalhães Pessoa marcaram o concelho de Leiria nos últimos 30 anos e alteram a cidade para sempre.

Estas três obras foram preponderantes para o desenvolvimento da cidade: o novo hospital permitiu oferecer melhores condições aos utentes, que recorriam até então a um serviço degradado e com muitas carências, a criação do Instituto Politécnico iniciou a qualificação da mão-de-obra necessária às empresas da região e o estádio, apesar de ser uma obra controversa e cara, permitiu a Leiria receber eventos internacionais, como o Europeu de Futebol de 2004 ou o Campeonato da Europa de Nações em Atletismo.

Foi em 1995 que surgiu o atual Hospital de Santo André para dar resposta à população, que utilizava um edifício muito degradado e com falta de espaço.

“A construção do Hospital de Santo André foi um marco muito importante no incremento da qualidade da saúde na nossa região. Por um lado, trouxe melhores condições para atender os utentes e, por outro, pôde receber mais utentes e especialidades mais diferenciadas”, destaca o atual presidente do Conselho de Administração, Hélder Roque.

Segundo o responsável, a evolução foi “mais significativa ao longo da última década”, quando foram melhoradas as infraestruturas, “criando novos serviços e mais especialidades, reformulando outros e modernizando significativamente os equipamentos”.

Para Hélder Roque, Leiria tem hoje “um hospital moderno, com equipamentos médicos e hoteleiros de última geração, espaços seguros e confortáveis”.

O impacto do Instituto Politécnico de Leiria (IPL) e das escolas superiores de Tecnologia e Gestão e de Educação e Ciências Sociais criadas na cidade ajudaram a dar um impulso à qualificação do tecido empresarial regional. Luciano de Almeida, ex-presidente do IPL, sublinha que “na cidade de Leiria e região há hoje uma comunidade científica que poucos poderiam prever há dez anos”.

“O IPL é, seguramente, um dos maiores empregadores da região e isso tem um impacto direto na economia. Mas o seu principal contributo foi enquanto centro de atração e fixação do conhecimento, tendo contribuído para a qualificação dos empresários e dos recursos humanos, contribuindo para acrescentar à sua capacidade empreendedora conhecimento e competências que valorizaram essa capacidade empreendedora, inata em Leiria, e que permitiu construir um tecido empresarial cada vez mais sólido, competitivo, e condições de vida (…) com um grau de estabilidade superior ao das restantes regiões do país”, acrescenta Luciano de Almeida.

O IPL registava 5.000 alunos em 2000 e, em 2009, 12.500, destacou o antigo responsável pela instituição.

Por outro lado, a remodelação do Estádio de Leiria foi uma das obras mais polémicas: defendida por uns, foi contestada por outros. O executivo camarário da época, liderado por Isabel Damasceno, entendeu que Leiria não podia passar ao lado de um evento como o Euro2004, organizado em Portugal.

O novo complexo, projetado pelo arquiteto Tomás Taveira, custou 88 milhões de euros, quando o valor inicial previsto era de 19,5 milhões de euros.

O atual vice-presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes (PS), considera que o estádio “constitui uma importante infraestrutura desportiva no concelho que o Município tem tentado rentabilizar ao máximo, através de uma utilização o mais abrangente possível, com a realização de eventos, sejam de índole desportiva, cultural, económica ou de outro âmbito”.

No entanto, o “elevado custo da sua construção, os encargos que representa para o município e o peso que a sua dívida ainda hoje representa têm causado óbvios constrangimentos ao nível do investimento que este executivo, que herdou o ónus de gerir a sua dívida e utilização, gostaria de realizar no concelho”, reconhece.

“Segundo a prestação de contas de 2015, os empréstimos de médio/longo prazo do Município de Leiria totalizam 48.110.446,61 euros, dos quais 41.823.565,15 são relacionados com o Estádio/Euro2004, o que corresponde a 86% da dívida bancária”, acrescenta Gonçalo Lopes, garantindo que não seria favorável à construção de um estádio com a dimensão para quase 30 mil lugares.

Gonçalo Lopes frisa que a autarquia também já tentou “encontrar uma solução para esta infraestrutura através de uma hasta pública para alienação de parte do Estádio, na sequência da manifestação do interesse de privados”. No entanto, “uma providência cautelar interposta por um conjunto de cidadãos causou o arrastar do processo, o que acabou por esmorecer o interesse de privados, sobretudo num momento em que a crise nacional e internacional reduziu o nível de investimento”.

O vice-presidente da autarquia admite que, “caso voltem a surgir manifestações de interesse”, a Câmara está disponível “para estudar uma solução que seja vantajosa para os munícipes”.

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