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IC8, de alavanca a “bloqueio” para o concelho de Ansião

O itinerário complementar 8 (IC8) foi em tempos uma alavanca para Ansião, permitindo cativar empresas para o concelho, mas hoje aquela estrada, que continua por concluir, é encarada como um “bloqueio”.

O troço do IC8 que liga Pombal e Ansião, criado no final dos anos 1980, teve na altura um “impacto brutal” naquele concelho do distrito de Leiria, diz à agência Lusa o presidente da Câmara de Ansião, Rui Rocha, realçando que hoje a via bloqueia o desenvolvimento do município, em vez de o alavancar.

Ao longo dos anos, várias foram as notícias sobre a inauguração de novos troços do IC8. No entanto, surgiram também diversas reclamações por parte de municípios do interior do país a exigir a conclusão da via, em que Ansião sempre se fez representar.

“É lamentável que o IC8, passado todo este tempo, seja dos poucos itinerários que não esteja concluído”, critica Rui Rocha, considerando que seria urgente a requalificação de pouco mais de 20 quilómetros entre Ansião e Pombal para garantir uma melhor ligação do interior do país ao litoral, nomeadamente à A1, à ferrovia e ao porto da Figueira da Foz.

Para o autarca, seria necessário introduzir “duas ou três zonas de ultrapassagem” e desnivelar cruzamentos no troço de 20 quilómetros entre os dois concelhos, potenciando uma via “importante para a estratégia regional”, que liga a Figueira da Foz a Espanha.

Quando o IC8 surgiu, “foi um abrir de portas para um processo de captação de investimento, mas hoje é um constrangimento”.

A intervenção chegou a estar prevista, mas nunca foi concretizada.

Segundo Rui Rocha, este município do interior do distrito de Leiria tem sofrido alguns constrangimentos face a injustiças das políticas nacionais relativas a algumas áreas, em que são exigidas as mesmas condições para concelhos com diferentes dimensões.

Apesar das dificuldades, o município conseguiu investir nos últimos 30 anos em infraestruturas básicas e na regeneração urbana, que permitem que Ansião se orgulhe e promova “a marca do concelho, que é a qualidade de vida que apresenta”, aponta o autarca.

Aliado a esse fator, está também o trabalho de captação de investimento na região, em que o Parque Empresarial do Camporês desempenha um papel muito importante.

Quando foi inaugurado, há cerca de 25 anos, “não havia uma única empresa. Hoje, há 40 empresas instaladas [no parque], 500 postos de trabalho e um volume de negócios que ultrapassa os 50 milhões de euros”, refere o autarca.

“Orgulha-nos este registo e ficamos satisfeitos que esta aposta no parque empresarial tenha sido bem-sucedida”, salienta, realçando que o desempenho se deve “às empresas que se instalam” num parque empresarial em que a autarquia tem apostado em vender os lotes a “preços simbólicos”.

Hoje, o Camporês tem apenas quatro lotes disponíveis e a Câmara ambiciona realizar uma nova ampliação do parque, com a criação de 27 novos lotes, depois de este já ter sido aumentado em 2011.

“Para além da qualidade de vida, temos que ter empresas e emprego”, realça Rui Rocha.

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