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Incêndio de 2003 reduziu Oleiros a cinzas com destruição de 70% da floresta

O concelho de Oleiros ficou praticamente reduzido a cinzas em setembro de 2003, quando um violento incêndio consumiu 70% da floresta, provocou a morte a duas pessoas e destruiu cerca de duas dezenas de habitações.

“Foram uns dias trágicos para o concelho de Oleiros e este acontecimento marcou pela negativa a vida dos oleirenses”, recorda à agência Lusa José Santos Marques.

O então presidente da Câmara de Oleiros lembra-se perfeitamente do dia em que o incêndio, que lavrava nos concelhos vizinhos de Proença-a-Nova, Pampilhosa da Serra e Fundão, saltou para o seu concelho: “Em poucas horas, fomos cercados pelo fogo”.

“Ardeu cerca de 70% da área do concelho, cerca de 500 quilómetros quadrados e isso diz bem da dimensão deste incêndio. Vai fazer agora em setembro 13 anos”, refere.

O incêndio de 2003 deixou grandes marcas na população de Oleiros, quer a nível económico, quer social.

Foram destruídas cerca de duas dezenas de habitações, que tiveram que ser parcial ou totalmente reconstruídas, houve famílias desalojadas, algumas posteriormente realojadas pelo município na residência de estudantes e outras que acabaram por recorrer a familiares.

“Eu diria que este incêndio deixou marcas profundas. Primeiro, pelos falecimentos. Houve dois munícipes que morreram. Foi uma situação trágica para todos nós. Não há memória de tal ter acontecido no concelho. Depois foram as habitações, primeiras e segundas habitações que foram destruídas. E, por último, a floresta”, explica.

O ex-autarca adianta que não houve praticamente nenhuma freguesia do concelho que tivesse escapado ao flagelo.

José Santos Marques adianta que o fogo chegou a entrar na vila de Oleiros e que nem as árvores do adro da igreja matriz escaparam.

“Foi afetada a Igreja Matriz, que está classificada. Além das árvores que estavam no adro, que arderam, ruiu também o altar-mor da igreja”, sublinha.

A população esteve quase um ano sem poder ali celebrar qualquer cerimónia religiosa e teve mesmo de se socorrer da capela da Santa Casa da Misericórdia local. Toda a rede viária de Oleiros ficou também afetada.

Após o incêndio, o ex-autarca, que liderou o processo de recuperação, explica que trabalharam “dia e noite” a fazer o levantamento, em primeiro lugar, das habitações.

“Com a ajuda de alguns bancos que fizeram donativos, da Cáritas Diocesana e outras entidades, num tempo recorde conseguimos construir e reconstruir as habitações”, disse.

O próprio Governo, na altura, também comparticipou e, através de fundos comunitários, o município conseguiu recuperar toda a rede viária afetada pelo incêndio.

Já em relação à floresta, a situação não decorreu como esperava o então presidente da Câmara de Oleiros.

“A Câmara apresentou várias candidaturas para a reflorestação da área ardida, mas o certo é que não tivemos fundos comunitários nem nacionais para podermos avançar. Hoje, o que se verifica é que temos uma floresta a crescer de uma forma completamente desordenada”, lamenta.

Em Oleiros, todos recordam este acontecimento trágico e as palavras dos locais demonstram bem que, apesar de ter passado mais de uma década, as marcas deixadas pelo incêndio de 2003 foram profundas.

“Isto parecia o inferno”, diz António Moreira, hoje com 81 anos, que prefere não falar do assunto, que foi “obra do diabo”.

Já o seu companheiro e amigo José Martins, de 78 anos, recorda que não há ninguém em Oleiros que não tenha “sofrido na pele” as consequências do fogo.

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