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Indústria leva Vale de Cambra a todo o mundo

A expressão mais evidente do desenvolvimento de Vale de Cambra é o seu crescimento industrial, expresso sobretudo na expansão de empresas que, já ativas em 1986, se tornaram entretanto líderes nacionais e internacionais nos seus setores de produção.

José Pinheiro, presidente da autarquia, aponta como exemplos desse crescimento as marcas Arsopi, Colep e Vicaima, cuja atividade num território com 147,3 quilómetros quadrados e cerca de 23.000 habitantes justifica uma das mais baixas taxas de desemprego do país, na ordem dos 6,6%.

“Nos anos 80 [do século XX]ainda tínhamos muitas ruas em terra batida, mas já contávamos com empresas de referência, sobretudo na área dos laticínios”, recorda o autarca. “As manteigarias de vão de escada foram evoluindo, tornaram-se empresas de dimensão, e algumas das maiores empresas que temos agora surgiram precisamente para dar resposta às20 necessidades desse setor em recipientes e equipamentos”, explica.

Dessa especialização resulta que Vale de Cambra seja hoje “o concelho mais forte do país ao nível do aço inoxidável”.

Para essa reputação vem contribuindo a empresa Arsopi, fundada em 1942 na oficina da casa de Arlindo Soares Pinho, que aí fabricava peças sobressalentes de metalomecânica para a indústria de laticínios, e cresceu para os 141.000 metros quadrados, onde 385 trabalhadores produzem equipamentos e serviços para setores como a alimentação, petroquímica, energia e celulose.

Na unidade produzem-se itens que podem medir 60 metros de comprimento e pesar até 180 toneladas, o que influi numa carteira de clientes que abrange mais de 100 países e, em 2015, resultou numa faturação de 30 milhões de euros, mais de 70% dos quais resultantes de exportação.

“Começámos por fazer pecinhas simples, depois passámos a tanques e cubas, hoje vendemos soluções completas e equipamentos que só três ou quatro empresas no mundo conseguem executar”, diz o administrador da Arsopi, Jorge Leite Pinho. “Subcontratamos o trabalho menos especializado a dezenas de empresas e, assim, ajudámos a criar aqui um cluster de metalomecânica”, defende.

Para Francisco Rodrigues, ‘managing director’ da Colep, um dos maiores ‘players’ europeus nas embalagens e “talvez líder mundial no enchimento de aerossóis”, Vale de Cambra representa “o caso ímpar de um concelho que reuniu num território relativamente concentrado um conjunto muito significativo de indústrias de sucesso com grande capacidade de inovação”.

Fundada em 1965 no que era então “um barracão”, a empresa transformou-se num complexo industrial de 163.000 metros quadrados e emprega agora cerca de mil pessoas que, em 2015, contribuíram para um volume de negócios de 145 milhões de euros, quase 80% dos quais absorvidos pelo mercado externo.

“Mais do que uma fábrica, a Colep portuguesa é um conglomerado industrial que integra no mesmo espaço diferentes fábricas autónomas, para garantir um serviço integrado a clientes extraordinariamente exigentes”, afirma Francisco Rodrigues, em referência a marcas como a L’Oréal, Johnson’s, Procter&Gamble ou Unilever.

Já a Vicaima, criada em 1959 para comercializar materiais de carpintaria com recurso a quatro funcionários dispostos por 100 metros quadrados, progrediu até se tornar um dos principais fabricantes europeus de portas, armários e soluções integradas para hotéis, escolas, hospitais e lojas. Hoje ocupa no concelho 120.000 metros quadrados, emprega mil trabalhadores e fatura 79 milhões de euros, 92% dos quais de clientes da Europa, África, Ásia e América Latina.

“Em 1986, o grupo Vicaima já era reconhecido internacionalmente, exportava para a Europa e investia em tecnologia”, recorda Arlindo Costa Leite, presidente da empresa. “Desde então, a evolução foi ainda mais veloz e hoje é possível encontrar o ‘made in Vicaima’ num hotel de luxo em Paris, num ‘labour camp’ na Nigéria, num hospital em Marrocos, num teatro no Brasil ou num palácio presidencial na Ásia”, revela.

Para este industrial, a atividade económica de Vale de Cambra distingue-se por ser “forte e, acima de tudo, sustentada”, pelo que, se o município não cresceu em população, “cresceu em contribuição para a riqueza da região e do país”.

Manter o ritmo dessa evolução passa agora por assegurar às cerca de 700 empresas do concelho uma maior oferta formativa. “Precisávamos de mais cursos técnico-profissionais adaptados à realidade da nossa indústria e até cursos superiores, dada a crescente escassez de mão-de-obra qualificada, mesmo quando em Vale de Cambra se paga acima da média”, realça José Pinheiro.

Jorge Leite Pinho prefere jogar pelo seguro e concentra as suas expectativas no Centro de Formação Profissional da Arsopi, que, desde o início dos anos 90, já habilitou mais de 600 pessoas com cursos técnicos equivalentes ao 12.º ano e com “100% de empregabilidade”.

Francisco Rodrigues, da Colep, também não confia o futuro a mãos alheias: “Em tudo o que se refere a tecnologia de ponta, se quisermos técnicos bem formados, temos que ser nós a investir neles”.

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